PÁSCOA - A Oração Que Faz Diferença  (Páscoa) escrito em terça 11 março 2014 14:22

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Estamos em plena sexta-feira e Jesus acaba de jantar com seus discípulos a chamada “Refeição Pascal”, onde Ele estabelece a Ceia ou Eucaristia, que as igrejas cristãs até hoje a repete durante seus cultos. São as últimas horas de Jesus com aquele grupo de discípulos que desde os primeiros dias, a quase três anos, se dispuseram a segui-Lo.

Após o jantar Jesus se dirige a um jardim chamado Getsêmani (prensa dos óleos). O propósito de Jesus, conforme relato evangélico de Marcos (14.32) é orar. Esta não é a primeira vez que Jesus procura um refugio tranquilo para orar, mas neste momento derradeiro há duas diferenças importantes: primeiro, Ele insiste com os discípulos para que lhe façam companhia neste momento crucial e leva consigo Pedro, Tiago e João; segundo, é a primeira vez que se registram as palavras da oração particular de Jesus.

É oportuno fazer aqui um contraste com a cena da transfiguração (9.2-8): enquanto na transfiguração é o Pai quem fala, aqui silencia; no monte da transfiguração o Senhor Jesus se reveste de Sua gloria divina, mas aqui no jardim revela-se a plenitude de sua humanidade.

E Jesus assume a total fragilidade e insuficiência humana “começou a apavorar-se e a angustiar-se” (14.33). Os verbos utilizados pelo evangelista denotam a ideia de alguém que é fica perplexo e atordoado com algo terrível que esta acontecendo diante de seus olhos e que por causa disso sente-se desorientado e abatido o que leva a pessoa a uma profunda ansiedade e angustia.

Dentro do contexto dos salmos de lamento (42. 5-6; 43.5), Jesus também exterioriza toda pressão que está em Seu interior: “A minha alma está triste até a morte” (14.34). O salmista proclama seu lamento por se sentir esquecido por Deus, pois esta no exílio e seus adversários zombam dele, mas Jesus acrescenta “até a morte”, pois sabe que o Calvário é inevitável.

Apesar da solicitação de Jesus e da repetição ao convite “Permanecei aqui e vigiai” é chocante a forma com que os discípulos permanecem indiferentes e desassociados deste momento de intensa angustia e sofrimento Dele – nenhuma palavra de consolo e de animo se ouve por parte deles – a solidão de Jesus é plena!

Nas palavras “hora” e “cálice” (14.35-36) transparece os motivos de tanta angustia, perturbação e tristeza que invadem a alma e o coração de Jesus. Jesus tem plena consciência, como fica explicitado em Suas próprias palavras (14.41) que está diante Dele todo o horror pelo qual haverá de passar nas horas subsequentes e que somente terminará com sua morte na Cruz.

Marcos registra que Jesus “caiu por terra” (Mc 14.35) o que revela a profunda humildade e dependência daquele que vai suplicar diante de Deus. Neste momento Jesus se identifica plenamente com todos que oram, assim como todo crente em todo o tempo experimenta a ansiedade e o medo, faz suas interrogações e expõe seu lamento, mas jamais sai da presença de Deus – o momento de tensão e apreensão não afasta Jesus (e o crente) do Pai, mas o leva para mais perto de Dele.

Em diversos momentos de Seu ministério Jesus havia dito que ainda não havia chegado sua “hora”, mas agora Ele ora: “...se  possível lhe fosse poupada aquela hora” (14.35). Ao final de quase três anos de intensas atividades, Jesus sabia que Sua Hora havia chegado:

É meia-noite, e a oliveira floresce;

A estrela está emitindo o seu último brilho.

É meia-noite, no jardim agora,

O Salvador, em sofrimento, ora sozinho.

Essa “hora” é totalmente distinta das horas naturais da vida, não se trata apenas de um tempo ocasional e fortuito, não é um tempo meramente humano resultante do seu esforço e querer; essa “hora” se trata do cumprimento de toda pregação e esperança messiânica que foram anunciados através de séculos de pregações  e preparação divina; é a “hora” conclusiva, que completa uma história, uma vida ou uma missão, tornando possível se contemplar o seu resultado final e assim, a compreensão de seu sentido.  É a hora em que Jesus “esta sendo entregue às mãos dos pecadores” (14.41), por isso Ele ora que se for possível seja poupado desta hora terrível.

Jesus ora utilizando uma expressão hebraica de intimidade filial “Abba”, que o evangelista imediatamente traduz para seus leitores estrangeiros, Pai. É a forma diminutiva (Papai) da palavra aramaica “pai”, expressando o pedido de uma criança ao seu pai, do qual tudo depende; um pedido pleno de confiança e sinceridade, mas ao mesmo tempo, pleno de reverência e submissão.

É uma oração completa: a invocação (Abba), a declaração de fé (tudo é possível para ti), o pedido (afasta de mim este cálice) e disposição em obedecer a vontade de Deus (porém, não o que eu quero, mas o que tu queres), o que esta em perfeita harmonia com a oração modelo que o próprio Jesus havia ensinado aos seus discípulos (Mt. 6.10).

Em ao menos duas ocasiões anteriores Jesus havia se referido ao “cálice” que haveria de beber sozinho e plenamente (Mc 10.38-39, 14.23), mas em ambas seu estado de espírito era de serenidade, mas aqui Ele pede que seja afastado dele. No Primeiro Testamento o cálice esta relacionada diretamente com o exercício pleno da Justiça de Deus e/ou a manifestação da Ira divina e assim também é referido no Apocalipse escrito por João. Aqui no relato evangélico de Marcos a metáfora é mantida com toda sua carga de sofrimento e castigo. Jesus sabe que tudo que esta por lhe acontecer, sua Paixão, não são acontecimentos fortuitos orquestrados tão somente por decisões humanas mesquinhas e maquiavélicas, mas todo seu sofrimento está ajustado dentro do desígnio do Pai. Ainda que Ele esteja sendo rejeitado e todo sofrimento lhe será infringido pelas mãos cruéis de pessoas cruéis, o cálice que Jesus vai sorver totalmente vem das próprias mãos do Pai.

 

Conclusão

Este relato torna-se fundamental para todos os crentes que em algum momento de suas vidas haverão de enfrentar seu “Getsêmani”, mas com um grande diferencial, jamais estarão sozinhos, pois o seu Senhor e Salvador, que os entende plenamente, pois também experimentou angustia, dor e solidão, estará com eles na hora derradeira do jardim.

O gozo é um parceiro,

A dor chora sozinha,

Muitos convidados havia em Caná,

O Getsêmani tinha apenas Um.

(F. L. Knowles, Grief and Joy)

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

ivanpgds@gmail.com

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Referências Bibliográficas

HENDRIKSEN, William. Marcos – comentário do novo testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.

MAGGIONI, Bruno. Os relatos evangélicos da paixão. São Paulo: Paulinas, 2000 [Coleção: Espiritualidade sem fronteiras].

MULHOLLAND, Dewey M. Marcos – introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008. [série cultura bíblica].

 

Artigos Relacionados

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PÁSCOA - A última Viagem (Lucas 9.51-19.44)  (Páscoa) escrito em quarta 05 março 2014 16:39

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Já se passaram mais de dois anos desde que Jesus iniciara seu ministério por toda a Palestina. A leitura da narrativa evangélica de Marcos nos dá uma ideia da intensidade com que Ele empreende suas atividades, sempre em plena ação e mobilidade sem tempo para períodos de descanso – o tempo é curto. O evangelista Lucas procura registrar os movimentos de Jesus, mas assim como Mateus, vai intercalando as ações Dele com os ensinos.

Os três evangelistas sinóticos reservam uma grande parte de suas narrativas para enfatizar a caminhada final de Jesus em direção à Jerusalém, onde acontecerão os momentos cruciais da narrativa evangélica, a partir da entrada triunfal de Jesus que demarca a última semana, culminando com os eventos cruéis da paixão de Cristo e posterior ressurreição Dele.

No caso peculiar de Lucas a narrativa desta última caminhada e/ou subida de Jesus em direção à Jerusalém inicia-se no verso 51 do capítulo 9: “E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”.

A narrativa lucana não nos permite traçar com exatidão geográfica a rota percorrida por Jesus à Jerusalém, pois ele opta por fixar-se em diversos acontecimentos mais do que uma exatidão geográfica progressiva.[1] Ele fornece algumas informações vagas de que Jesus escolhe o caminho que perpassa “através da Samaria e da Galiléia” (17.11), atravessando a cidade de Jericó (18.35; 19.1) e de que se aproxima dos arredores de Jerusalém pelos povoados “de Betfagé e de Betânia” (19.29). Normalmente Lucas prefere generalizar referindo-se a cidades, aldeias, sinagogas e casas (10.38; 11.37; 13.10,22; 14.1), de maneira que qualquer esforço em reconstruir uma rota exata torna-se frustrante.

Diferentemente de Mateus (19.1) e Marcos (10.1), onde Jesus faz o caminho que perpassa o “território da Judéia, além do Jordão”, ou seja, pela Transjordânia, na narrativa lucana Jesus prefere passar pela região central de Samaria e somente ao final é que Jesus passa pela cidade de Jericó retomando o itinerário natural ao longo do Jordão, harmonizando-se com o itinerário dos outros dois sinóticos.

A areia da ampulheta de sua consumação esta acabando e Jesus toma espontânea e resolutamente o caminho para Jerusalém, plenamente ciente do que lhe aguarda ao final desta jornada (Is 50.7; Ez 2.6). E o fato de Jesus enviar mensageiros adiante implica em que Sua subida a Jerusalém se reveste de uma função profética e messiânica, pois, é Deus mais uma vez visitando seu povo.

Este caminho através do território samaritano é o mais curto entre a região da Galiléia, onde Ele estava com seus discípulos, e a cidade de Jerusalém. Todavia, pela rincha histórica que havia entre estes dois povos, os judeus sempre optavam pelo caminho mais longo, evitando assim ter que passar pelas terras dos samaritanos. A inimizade deles fica evidenciada no fato de que um vilarejo samaritano nega acolher Jesus e seus discípulos. A reação de dois dos discípulos, Tiago e João, sugerem a Jesus que rogue a Deus para que derrame fogo do céu e consuma aquele vilarejo, lembrando-se de fato semelhante ocorrido com o profeta Elias (2 Reis 1.10-14). Mas Jesus os repreende, pois ainda não haviam compreendido que Ele não veio para destruir mas para salvar (Lc 19.10), e foram para outra aldeia.

Nesta derradeira caminhada Jesus ira aproveitar para ensinar as últimas lições aos Seus discípulos. E sem dúvida alguma a mais difícil destas lições é a Sua paixão revestida de toda sorte de sofrimentos, o que não faz qualquer sentindo para os discípulos (cf. João 12.34).

E continua não fazendo sentindo para os milhões de “discípulos” que imbuídos de um espírito hedonista e materialista correm atrás dos pseudos pregadores de mensagens que lhes prometem “muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”, que nunca foram proferidas pela boca de Jesus.

Os cristãos modernos fogem do caminho da paixão, mais do que o diabo foge da cruz; o Evangelho estreito e que culmina com a Cruz é completamente rejeitado e ignorado, pelos evangélicos das mil e uma facilidades.

Mas não há Evangelho sem que se percorra o caminho à Jerusalém; a verdadeira mensagem evangélica exige que se percorra cada metro e cada quilômetro do longo caminho da Paixão, do Sacrifício, da Cruz, da Morte, para que se possa experimentar a verdadeira Ressurreição e a Vida Eterna.

Os discípulos somente foram compreender essa verdade após sua Conversão, no Pentecostes. Os cristãos atuais também somente faram a opção voluntaria de percorrer todo este Caminho da Paixão e somente haverão de experimentar a Ressurreição e a Vida Eterna, quando experimentarem de fato e de verdade uma Conversão.

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

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Referências Bibliográficas

CASALEGNO, Alberto. Lucas – a caminho com Jesus missionário. São Paulo: Edições Loyola, 2003.

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado – versículo por versículo, v. II. São Paulo: Millenium, 1987.

MORRIS, Leon L. Lucas – introdução e comentário [Série Cultura Cristã]. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008.

 

Artigos Relacionados

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[1] Apesar disso durante toda a perícope Lucas enfatiza que o objetivo desta viagem é Jerusalém (9.51,53; 13.22; 17.11; 18.31; 19.28 e 19.11).

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VIAJANDO COM JESUS - A Cidade de Belém  (Evangelho Lucas) escrito em terça 28 janeiro 2014 19:07

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, VIAJANDO COM JESUS - A Cidade de Belém

                Nosso itinerário é fornecido pelo evangelista Lucas.  Vamos caminhando com Jesus por toda Palestina, conhecendo um pouco dos lugares, estradas e pessoas com que Ele teve contato durante seu breve Ministério terreno de um pouco menos de três anos. Nossa primeira parada não poderia ser outra se não a pequena cidade de Belém onde tudo começa. Vejamos o relato segundo Lucas:

E ACONTECEU naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse (Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), afim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. (Lc. 2.1-12)

                Belém era ainda um a pequena vila quando Jesus nasceu. Esta alojada entre montanhas arredondadas de maneira que a leste pode ser contemplado o deserto. Ela fica aproximadamente 10 quilômetros da capital Jerusalém; obrigatoriamente tornava-se uma lugar de parada para os viajantes que optavam pelo “Caminho dos Patriarcas”[1], que circundava as montanhas de Siquem, ao norte, até o monte Hebrom, ao sul. Belém significa “Casa do Pão” é uma região cercada de campos de trigo e de terra agricultável, portanto, se ajusta perfeitamente ao contexto, pois ali os viajantes se abasteciam dos alimentos e água necessários para a continuidade da viagem. É aqui nesta pequena e histórica vila que iniciamos nossa Viajem com Jesus.

História de Belém Anterior a Jesus

                Quando tomamos conhecimento da historia israelita, registrada na primeira parte da Bíblia cristã, descobrimos que esta pequena vila é palco de fatos marcantes e desproporcionais à sua diminuta expressão geográfico-econômica e política. Vejamos alguns destes acontecimentos:

- É pelo “caminho dos Patriarcas” que Jacó e sua família viajam. Logo após passarem a pequena vila de Belém, conhecida também pelo nome de Efrata (Ephrath), Raquel a esposa mais amada de Jacó começa a sentir as dores de parto e ao dar à luz ao seu filho Benjamim, acaba falecendo. Tomado pela dor Jacó adquiri um campo e a sepulta, demarcando como costume da época o lugar com um pilar (Gn 35.16-20).

- Outro relato muito significativo que tem Belém como palco é a história de Rute. Apesar de ser uma moabita, uma região que fica à leste, ela acaba por se casar com um rapaz hebreu. Mas seu esposo morre, assim como seu cunhado e seu sogro, de maneira que ela e sua sogra ficam sozinhas. Sua sogra, Naomi (Noemi), decide retornar à sua cidade natal, Belém, e Rute decide vir com ela, deixando sua terra e sua parentela [Abraão]. Ao chegarem totalmente desamparadas, Rute vai ao final de cada dia pegar as sobras de colheitas, ali acaba chamando atenção de Boaz, que era parente próximo de Naomi. Apaixonando-se por Rute cabe a Boaz a tarefa de resgata-las daquela situação e após se casarem tem um filho (Jessé) de maneira que Naomi tornou-se avó do futuro rei Davi.

- Fazendo o link com a informação acima, mais uma vez temos a pequena cidade de Belém como cenário de uma das mais importantes cenas da história judaica. O último dos Juízes, também sacerdote e profeta, o velho Samuel é incumbido por Deus para ungir o próximo rei, pois Saul o primeiro havia sido reprovado por suas constantes desobediências às ordens de Deus. Para cumprir a orientação divina Samuel vai até Belém e procura a família Jessé (neto de Naomi). Após serem reprovados todos os filhos mais velhos de Jessé, sobrou apenas o mais jovem que estava a cuidar das ovelhas. Chamado o jovem Davi recai sobre ele a confirmação da escolha para tornar-se o segundo e mais importante rei de Israel (1Sm. 16.11-13).  É quase impossível imaginarmos a história judaica sem a figura do rei Davi. A partir deste acontecimento a cidade de Belém, ficou conhecida como a “cidade de Davi” e ficou vinculada à grande expectativa profética de que dali haveria de surgir o Grande Rei e/ou Messias, que haveria de estabelecer o trono de Davi para sempre e cujo governo se estenderia a todas as nações da terra (Mq. 5.2-4).

A partir destes exemplos e possível perceber quão significativo torna-se o nascimento de Jesus na pequena cidade de Belém. Palco de momentos tristes (morte de Raquel) e alegria (nascimento de Benjamim e unção de Davi). O evangelista Lucas seguindo este curso histórico declara que o nascimento de Jesus torna-se motivo de extraordinária alegria e as boas novas (evangelho) não apenas para os judeus, mas para todos os povos da terra, pois ali na cidade de Davi nasceu o Salvador, o Ungido (Messias), o Rei dos Reis.

Como ocorrera a tantos anos atrás, novamente Deus age de forma oposta. Davi era apenas um menino quando Samuel o ungiu como rei e torna-se o maior rei dentro todos os reis de israel;  e agora Jesus nasce na forma mais humilde, em uma pequena vila, despido completamente de toda e qualquer pompa ou honrarias, para tornar-se o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, cujo domínio estende-se à toda terra, povos, línguas e nações. Não sem razão que a Historia dividiu-se entre Antes e Depois de Jesus Cristo.

Belém Atualmente

Hoje a cidade de Belém expandiu-se e assumiu uma importância significativa na economia da região,[2] dominada pelos palestinos. Infelizmente por causa dos conflitos permanentes entre os judeus e os palestinos, foi construída uma “barreira de segurança” levantada em 2004 e que tornou a cidade de Belém em um presídio “aberto”. Os turistas do mundo inteiro querem conhecer esta cidade, principalmente os palcos dos acontecimentos acima narrados. Do alto da cidade é possível avistar o “Caminho dos Patriarcas”, também se pode ver a Igreja da Natividade, construída pelo Imperador Constantino no inicio do século IV e que demarca o possível lugar de nascimento de Jesus.

 

Rev. Ivan Pereira Guedes

Mestre em Ciências da Religião

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Referências Bibliográficas

Elwell, Walter A. & Yarbrough, Robert W. Descobrindo o Novo Testamento, ed Cultura Cristã, São Paulo, 2002.

Sicre, José Luis. Um Encontro Fascinante com Jesus - o Mundo de Jesus, v.2, ed. Paulinas, São Paulo, 2004.

Reicke, Bo Ivar. História do Tempo do Novo Testamento, ed. Paulus, São Paulo, 1996.

Walker, Peter. Pelos Caminhos de Jesus, ed. Rosari, São Paulo, 2006.

Lucado, Max. Seu Nome é Jesus, ed Mundo Cristão, São Paulo, 2010.

 

 



[1] Com 1.200 quilômetros, a rota tem início nas ruínas de Haran, na Turquia, local onde, acredita-se, o patriarca ouviu pela primeira vez o chamado de Deus. E se estende por todo o Oriente Médio, incluindo cidades históricas como Alepo, Damasco, Jericó, Nablus, Belém e Jerusalém, e regiões de grande riqueza natural e cultural como as colinas do Líbano, a região de Ajloun da Jordânia e o deserto de Grajev, em Israel. No trajeto, encontram-se alguns dos locais mais sagrados do mundo. O ponto alto é a cidade de Hebron/ Al Khalil, local do túmulo de Abraão. Futuramente, o caminho será estendido para englobar as idas e vindas de Abraão rumo ao Egito, Iraque e, para os muçulmanos, Meca, na Arábia Saudita. O Caminho de Abraão é um projeto em andamento e mais informações podem ser encontradas em www.abrahampath.org.

[2] Segundo o censo palestino de 1997, a cidade tinha uma população de 21.670, sendo 11.079 homens e 10.594 mulheres. Nesse total estavam incluídos 6.570 refugiados, que correspondiam a 30.3% da população total. A população de Belém é constituída de cristãos e muçulmanos, que têm coexistido pacificamente durante a maior parte de sua história. Atualmente a população é majoritariamente muçulmana, mas a cidade ainda abriga uma das maiores comunidades de cristãos palestinos. O contingente de cristãos, que correspondia a cerca de 90% do total em 1948, tem decrescido drasticamente e hoje corresponde a 30%. Esse declínio é atribuído à falta de perspectivas da economia, dado que muitas famílias de agricultores cristãos perderam suas terras, para a construção de assentamentos judeus. Wikipédia - enciclopédia livre - http://pt.wikipedia.org/wiki/Bel%C3%A9m_(Palestina)

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JESUS E OS DOZE - Introdução  (Evangelhos) escrito em terça 31 dezembro 2013 00:22

 

MARCOS – 3.13-19

MATEUS – 10.1-4

LUCAS – 6.12-16

Simão (Pedro)

Simão (Pedro)

Simão (Pedro)

Tiago (fº Zebedeu)

André

André

João (irmão Tiago)

Tiago (fº Zebedeu)

Tiago

André

João

João

Felipe

Felipe

Felipe

Bartolomeu

Bartolomeu

Bartolomeu

Mateus

Tomé

Mateus

Tomé

Mateus

Tomé

Tiago (fº Alfeu)

Tiago (fº Alfeu)

Tiago (fº Alfeu)

Tadeu

Tadeu (Lebeu)

Simão (Zelote)

Simão (Zelote)

Simão (Zelote)

Judas (fº Tiago)

Judas Iscariotes

Judas Iscariotes

Judas Iscariotes

 

                Um dos momentos mais significativos do Ministério terreno de Jesus é quando Ele resolve chamar para junto dele um seleto grupo de discípulos, que ficaram conhecidos como Apóstolos, e que a partir daquele momento o acompanharam mais de perto e foram ouvintes de Seus ensinos e participantes de seus milagres.

                Lendo os registros evangélicos deste momento não encontramos nenhum razão pessoal nos que foram selecionados, que pudessem distingui-los de tantos outros que naquele momento também seguiam a Jesus. Ao contrário, de alguns deles, encontraremos ao longo das narrativas e de Pedro mais acentuada no final, relatos pouco apreciáveis sobre a conduta e/ou deles e para piorar no momento derradeiro, quando Jesus esta sendo pregado, junto ao Calvário vamos encontrar apenas o jovem João e algumas das mulheres que acompanharam Jesus durante Seu Ministério. Tudo isso poderia contribuir para desqualificar estes selecionados, mas quando Jesus chamou cada um deles, sabia quem eram, sabia o que fariam, mas assim mesmo os chamou, pois Jesus queria estes homens e não outros.

               Nenhum deles decepcionou Jesus, nem mesmo Judas Iscariotes, pois Jesus sendo Deus conhecia a cada um e suas múltiplas limitações, ao contrário, amou cada um deles e os amou até o fim, amou cada um apesar de suas limitações e debilidades; se Jesus fosse chamar pessoas perfeitas, teria que chamar apenas os anjos, pois nesta terra apenas um Homem não falhou – Jesus!

                O chamado deste grupo peculiar de discípulos, antes de nos desanimar, deveria nos animar, pois eles formam um representativo de todos aqueles que continuaram sendo chamados por Jesus, através do Espírito Santo, para aprender com Ele e serem como aqueles, enviados a proclamarem Sua mensagem ao mundo.

                 Jesus continua a chamar homens e mulheres, apesar do que somos, porque simplesmente nos ama e quer por nosso intermédio comunicar este amor salvador a outras pessoas, que como nós também são pecadoras que erraram e continuam a errar; o Evangelho é a mensagem apropriada para pessoas que sozinhas não conseguem servir a Deus, pois suas naturezas pecaminosas deturpam suas melhores boas intenções.

                  Enquanto vamos lendo as narrativas evangélicas e tomando contato com este grupo selecionado por Jesus, conhecendo cada um deles, nos sentimos mais normais, pois percebemos que eles são tão humanos e tão gente, como cada um de nós. Anima o nosso coração o fato de que Jesus não chama pessoas perfeitas, pois certamente estaríamos fora, mas chamou e continua a chamar gente como a gente, e que Ele mesmo vai pacientemente preparando para servi-Lo e realizar a Sua vontade e o Seu propósito eterno.

                  Na medida em que formos conhecendo um pouco sobre cada um deste seleto grupo dos Doze, teremos a oportunidade de vê-los como espelhos que refletem cada um de nós, crentes sim, desejos de fazer a vontade de Jesus sim, mas que como pessoas tropeçaram na pedra da contradição humana que Paulo tantas vezes também tropeçou, de maneira que as coisas boas e certas que sabemos devem ser feitas, não fazemos, mas as coisas ruins e erradas que sabemos não devemos fazer, fazemos. Quando estamos conscientes da nossa indignidade para merecer a misericórdia e o amor de Deus, estamos em melhor posição para experimentar o que ele pode fazer por nós.

                   Vamos examinar, como introdução, apenas algumas observações sobre os textos evangélicos onde o momento da escolha deste grupo acontece. Nos próximos artigos iremos destacar um a um deles, para que venhamos a aprender e apreender com eles.

Os Doze Apóstolos

                Para qualquer leitor do Primeiro Testamento fica fácil identificar a relação direta que Jesus pretende fazer entre Seu Ministério e a História de Israel. Deus forma a nação israelita a partir dos doze filhos de Jacó (Israel) e agora Ele vai inicia a formação do Novo Israel a partir deste grupo de Doze Apóstolos. Assim como Israel deveria ser uma bênção a todas as famílias da terra (Gn 22.17-18 e 26.4), a partir deste novo Israel (Igreja) a mensagem salvadora deve ser proclamada a todas as nações e até os confins da terra.

Comparando as Três Listas

                Lucas destaca que Jesus utiliza um termo técnico diferente para este grupo – “apóstolos” em lugar de “discípulos”. O objetivo esta na nova função que eles iram desempenhar e não necessariamente em uma promoção; “discípulo” é alguém que aprende fazendo, o nosso “aprendiz”, enquanto que “apóstolo” é alguém comissionado a realizar uma tarefa oficial, o que eles farão em breve.          Primeiro vem o Discipulado e somente então o Apostolado "Jesus nomeou os Doze para estarem com ele e, em seguida, mandou-os com sua autoridade para anunciar a Boa Nova. Muitas pessoas querem a autoridade de um Pedro ou João sem primeiro passar pela escola de discipulado. Aqueles doze receberam necessária instrução, treinamento, prática e acima de tudo, o tempo para amadurecer. Devemos estar dispostos a gastar tempo aprendendo com o Mestre, antes de ir para frente a fazer o seu trabalho público" (Barton, p. 81).

                Conforme indicado acima, três dos quatro evangelistas fornecem uma lista com os nomes dos doze selecionados. Marcos os dispõe de dois em dois, uma vez que posteriormente Jesus haverá de envia-los de dois em dois (Mc 6.7) e provavelmente fosse esta a formação das duplas.

                De alguns deles nada ficamos sabendo como Bartolomeu, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote, e dos demais temos parcas informações nas narrativas evangélicas, de maneira que muitas informações sobre eles somente será encontrada fora das narrativas bíblicas, como verificaremos. O que não é de surpreender, pois os evangelistas querem falar sobre Jesus Cristo e não sobre seus discípulos, mesmo deste grupo seleto apostólico. Esta é a diferença entre o Evangelho bíblico e o Evangelho atual: no primeiro é Jesus o centro da narrativa e das atenções; no Evangelho atual são os pregadores o centro das atenções.

                Destacam-se algumas observações e mudanças feitas aos nomes de alguns deles: Simão é alterado para Pedro (a rocha) e Levi altera-se para Mateus (o presente de Deus). Tiago, um dos mais velhos e João, o mais jovem do grupo, recebem a alcunha de “Boanerges” (filhos do trovão), por causa de suas atitudes impulsivas (Mc 9.38-41; 10.35-39; Lc 9.54-55). As mudanças de nomes são comuns nas narrativas bíblicas e implica sempre em mudança de caráter (de vida) e no caso dos “Boanerges” posteriormente um deles, João, será identificado como o Apóstolo amoroso, que transformação e o Pedro amedrontado, à beira da fogueira, será transformado em Pedro o destemido, diante do Sinédrio. O Evangelho de Jesus transforma vidas!

                Encontramos também algumas combinações estranhas nesta seleção de Jesus. Um exemplo é Simão, o Zelote, e Mateus, o cobrador de impostos compartilhando refeições juntos e convivendo pacificamente no mesmo grupo. Afinal de contas, os zelotes acreditava que eles eram chamados por Deus para se envolverem em uma guerra santa contra "os poderes das trevas" e/ou “os inimigos de Israel” e na visão deles todos os cobradores de impostos, como Mateus, eram traidores da pátria e da própria religião judaica e deveriam ser mortos. Mas tal é o poder transformador de Cristo, que Ele poderia até mesmo incluir uma tão improvável combinação em seu pequeno grupo de apóstolos. E não poderíamos deixar de destacar Judas Iscariotes “que O traiu" (Mc 3.19) também deve lembrar-nos que a Igreja de Jesus nunca foi perfeita. Ele sempre teve seus Judas, mesmo em ministério. Mas Deus não o abandona e nem despreza, ao contrário, Jesus o ama e utiliza ele, apesar do que ele era.

                Outra característica do trio evangélico é que os quatro primeiros a serem chamados por Jesus são mencionados primeiramente, ainda que em sequência diferente: Mateus e Lucas os mencionam em pares de irmãos; Marcos (como Atos) coloca André por último (Pedro, Tiago, João), seguindo o critério de intimidade no grupo apostólico e Mateus é nome aramaico; Tadeu aparece em alguns manuscritos como Lebeu (não nos dois mais antigos) e Lucas o chama de “Judas, filho [ou irmão] de Tiago” (Lc 6.16; At 1.13).[1]

                Por último quero ressaltar o fato de que as três listas iniciam sempre com Pedro e conclui sempre com o nome de Judas Iscariotes. O adjetivo Zelote pode se referir a uma pessoa que era zeloso da Lei (como Saulo) ou alguém que foi membro do grupo revolucionário da época; Iscariotes  se refere a uma pessoa que tinha origem do vilarejo  Queriote nas regiões da Galileia.

 

Rev. Ivan Pereira Guedes

Mestre em Ciências da Religião

Universidade Mackenzie

Outro Site

Historiologia Protestante

http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

 

Referências Bibliográficas

BARTON, Bruce. Mark - Life Application Commentary, Wheaton, 2000.

TASKER, R. V. G. The gospel according to St. Matthew. Tyndale New Testament Commentaries. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1961.

 


[1] “Pode ser que Judas fosse o seu nome verdadeiro; porém, mais tarde, devido ao estigma ligado ao nome Judas Iscariotes, Tadeu (que talvez signifique “de coração bondoso”) tenha sido um nome que substituiu o nome Judas”. (TASKER, 1961, p. 107).

 

 

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A BÍBLIA, A RENASCENÇA E A IMPRENSA  (Reflexão) escrito em quarta 27 novembro 2013 11:38

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, A BÍBLIA, A RENASCENÇA E A IMPRENSA

                Uma pesquisa recente realizada pelo Google, tendo como base seu projeto de digitalização de livros o Google Books, divulgou que há 129.864.880 milhões de livros no mundo. Para chegar a esta conclusão eles coletaram dados em mais de 150 fontes espalhados no mundo e depois de várias varreduras eliminaram o máximo possível de edições repetidas ou reproduzidas com títulos diferentes.

                Mas com absoluta certeza nenhum destes milhões de livros chegam ao menos próximo à importância, relevância e influência produzida pela Bíblia ao longo da história humana. Em todas as pesquisas realizadas para se conhecer qual livro é o mais lido a Bíblia destaca-se com ampla vantagem com cerca de 6 bilhões de exemplares e traduzida para pelo menos 2.500 línguas e dialetos. Seria possível colocar um exemplar da Bíblia nas mãos de cada habitante do mundo hoje!

                Entretanto, nem sempre foi assim. Até o século 16 a Bíblia como qualquer outro livro era objeto raro e caríssimo, pois o processo de cópias era manual, portanto, lenta e custosa. No caso mais especifico da Bíblia havia além de tudo o monopólio da Igreja que inibia cópias que não estivessem sob a supervisão do clero. Estas cópias normalmente eram realizadas por monges uma vez que os mosteiros eram os maiores produtores literários e também zeladores das maiores e mais importantes bibliotecas da época.

                A partir do século XV surge um dos movimentos mais fecundantes da história humana, a Renascença.[1] Não se deve reduzir este movimento a um simples resgate da literatura antiga e uma redescoberta da arte greco-romana, pois as ondas produzidas por ela iram transformar todas as esferas sociais, morais, estéticas, filosóficas e religiosas.

                É comum destacar certo numero de invenções que surgiram neste período histórico, entre as quais a de Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, ou simplesmente Johannes Gutenberg (Mogúncia, c. 1398 - 3 de Fevereiro de 1468) gráfico alemão, que pioneiramente criou o chamado tipo móvel em que cada letra era esculpida em alto relevo em um pedaço de madeira, posteriormente de metal, e que possibilitava a impressão de textos em papel[2] e assim permitindo reproduzir obras literárias de forma mais rápida e mais barata.

                A partir de sua invenção em 1450, a imprensa começa sua trajetória, ainda que inicialmente lenta, mas crescente: Veneza, Estrasburgo, Bolonha, Florença e Palermo, mas ainda era um processo custoso – a Bíblia imprimida por Mentel em Estrasburgo, em 1466, custava equivalente a três bois. E como tudo que é novo houve também resistência por parte de muitos humanistas que preferiam a manutenção da escrita. Mas a imprensa veio para ficar e tornou-se uma das maiores invenções humanas em todos os tempos. Assim como hoje é impossível imaginar um mundo sem computadores e sem internet, torna-se impossível imaginar um mundo sem a criação do processo de imprimir de Gutenberg.

                Os predecessores de Martinho Lutero e Calvino não tiveram este precioso auxiliar para divulgar suas ideias reformistas, o que se constitui em maior dificuldade para que eles pudessem divulgar suas ideias. Assim, é impossível não relacionar a invenção da Imprensa com a Reforma Religiosa e/ou Protestante desencadeada no século 16.

                Ao lançar suas 95 teses manifestando suas preposições contrárias às várias práticas religiosas utilizadas então pela Igreja Católica Romana, Martinho Lutero com certeza não tinha percepção de como isto afetaria todo o campo religioso cristão em todos os lugares e em todos os tempos. Rapidamente suas teses foram impressas e divulgadas em toda Alemanha e ultrapassando as fronteiras alcançam rapidamente outras nações. Os embates entre ele e seus opositores são impressos e distribuídos de maneira que um número crescente de pessoas começa a tomar conhecimento destas discussões e começam a opinar e nesta esteira a Reforma Religiosa toma proporções cada vez maiores, assim como uma tormenta que se inicia com ventos mais intensos e transforma-se em um algo incontrolável, o mesmo vai ocorrer com o movimento reformista.

                A Igreja até então estava acostumada a suprimir movimentos correlatos, primeiramente tentando cooptar suas lideranças e não sendo possível utilizava-se a força bruta para erradicar tais movimentos e a História registra em suas páginas tanto uma quanto outra. Mas agora há fatores totalmente inéditos – o movimento renascentista com toda sua força e pujança transformadora de mentalidades, propondo abertamente mudanças em todas as esferas da sociedade e o surgimento da Imprensa com sua agilidade em reproduzir as ideias fossem quais fossem.

                A Reforma Religiosa proposta por Lutero e seus companheiros que se multiplicam por toda a Europa tem um pressuposto fundamental – A Bíblia e somente a Bíblia. Este livro que até então era propriedade unicamente do clero e de alguns privilegiados da sociedade medieval, quer pelo custo altíssimo de se fazer uma cópia, quer por se ter oficialmente apenas a versão em latim e, portanto de forma elitista, acessível apenas ao seleto grupo dos clérigos e acadêmicos.

                Imediatamente Lutero, Calvino e outros reformadores iniciam uma versão da Bíblia para as línguas vernáculas alemã, francesa e inglesa. Estas versões começam a serem impressas e distribuídas nestas e em outras regiões. O numero crescente de pessoas que começam a ter contato direto com a mensagem bíblica vai se multiplicando vertiginosamente e como uma avalanche que não pode ser detida, assim a leitura da Bíblia nas versões nacionais tornam-se inevitáveis.

                Desde então este livro que já foi de capa preta, mas agora tem capas de todas as cores e que pode ser encontrada nas versões desde mais populares até as mais acadêmicas, tanto para crianças quanto para os da melhor idade, e que de tempos em tempos é classificada de ultrapassada e fadada a ocupar um lugar nos museus, todavia, continua sendo impressas aos milhões ano a ano, batendo todos os recordes e deixando outras obras cada vez mais distantes na preferencia dos leitores.

                Mas além de tudo, a Bíblia continua sendo a portadora da mensagem transformadora de Deus! A prova esta no fato de que bilhões de pessoas ao tomarem contato com seu conteúdo são impactados de tal forma que suas vidas e histórias são radicalmente mudadas. Países inteiros tiveram suas histórias alteradas por causa deste livro; de tempos em tempos a Sociedade curva-se diante do poder emanado de suas páginas. O ser humano tem procurado suprimir a mensagem da Bíblia; tem procurado colocar outras ideais e alternativas para suas vidas, mas o resultado é que tais esforços tornam-se estéreis de resultados e um retorno à mensagem Bíblica torna-se inevitável.

                Somente a Bíblia oferece um caminho seguro para que a pessoa possa estabelecer uma relação estável com Deus e que produz uma estabilidade para si mesma, para seus relacionamentos e para a própria sociedade em que esta inserida.

                No segundo domingo de dezembro comemora-se no Brasil o “Dia da Bíblia” e gostaria de deixar a você um convite e um desafio: LEIA A BÍBLIA!

 

 

Rev. Ivan Pereira Guedes

Mestre em Ciências da Religião

Universidade Mackenzie

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[1] Foi o historiador Jules Michelet que em sua obra “Histoire de France” em 1855 utilizou pela primeira vez o termo Renascença para designar um período especifico da historia da civilização.

[2] Evidentemente que sem o desenvolvimento da técnica do fabrico de papel pelos chineses, desde 105 da era cristã, a ideia de Gutemberg possivelmente não seria concretizada.

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