OS PARADOXOS DA FELICIDADE NO EVANGELHO  (Evangelho Mateus) escrito em quinta 07 maio 2015 16:05

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Bem Aventurados....

            O Evangelho foi mal compreendido ainda nos dias em que Jesus caminhava pelas estradas empoeiradas da Palestina judaica e o proclamava exaustivamente.

            A mensagem evangélica de Jesus impactou os ouvidos desabituados de um povo que há quatro séculos não ouviam palavras proferidas com tão grande autoridade e poder. Multidões começaram a serem atraídas pelas palavras proferidas por Jesus de maneira que em poucos meses um número expressivo de pessoas passou a segui-lo em seu ministério itinerante pelas cidades e vilarejos espalhados por todo o território judaico.

            É importante realçar o fato de Jesus não fazer da grande capital, Jerusalém, a sua base de operações. De acordo com os textos dos evangelistas Jesus passa pela cidade algumas vezes, porém se qualquer alarde. Ele vai estabelecer sua base na cidade de Cafarnaum, situada na região da Galileia, sempre depreciada e menosprezada pelos moradores abastados e soberbos da enriquecida Judéia, incluindo a casta sacerdotal judaica, com seu magnifico Templo, suntuosamente ornamentado pelo famigerado Herodes, o Grande, que destituído de qualquer senso moral ordena a morte de todos os meninos de dois anos para baixo no esforço inútil de matar o menino Jesus e cuja morte em decorrência de sua arrogância foi a de ser comido por bichos que brotaram de suas entranhas.

            Mas apesar de sua popularidade crescente por onde quer que anunciava a mensagem evangélica, poucos foram aqueles que verdadeiramente a compreenderam e adotaram como um novo estilo de vida. Na verdade, até mesmo aquele pequeno grupo deleto, os apóstolos, escolhidos pessoalmente por Jesus, apreenderam o valor e significado do Evangelho ensinado pelo Mestre. Por quase três anos o acompanharam em suas caminhadas, e em diversas ocasiões Jesus os ensinou particularmente, todavia, reincidentemente Ele teve que os corrigir com severidade, pois suas mentes e corações pouco haviam absorvidos dos princípios evangélicos exaustivamente ensinados pelo Mestre. Essa triste realidade fica evidenciada quando empreendem pela última vez uma subida à Jerusalém, e pelo caminho começaram a discutir com veemência qual dentre eles seria o maior na hierarquia do novo Reino que estava por ser estabelecido por Jesus. Mal sabiam eles que na hora derradeira, um deles o trairia, outro o negaria três vezes, e com exceção de João, o mais jovem entre eles, o abandonariam à mercê de seus algozes na cruz.

            Passados mais de dois mil anos, esse mesmo Evangelho de Jesus, continua sendo mal compreendido pela maioria de seus ouvintes e são raros os que o manifestam na pratica diária de suas vidas. Como naqueles primeiros dias, ainda hoje as multidões são atraídas pela beleza da mensagem evangélica, mas poucos de fato estão dispostos a pagarem o preço da renúncia e da cruz.

            Como nos dias de Jesus as multidões têm suas próprias motivações hedonistas e materialistas às quais desejam satisfazê-las por meio do Evangelho, mas continuam rejeitando quaisquer propostas que se opõe às suas necessidades de autossatisfação.

            Nesses dias em que os evangélicos ampliaram em muito suas zonas de conforto, as exigências explicitamente contidas no bojo do Evangelho de Jesus, são deletadas e lançadas imediatamente na lixeira de uma vida cristã insonsa. O evangelicalismo brasileiro desenvolveu um sub cristianismo em que são preservados a todo custo seu bem-estar e conforto. E não somente os fomentadores e operadores da apologética da prosperidade, mas a todos os segmentos do universo evangélico, que em maior ou menor grau, desenvolveram suas notas de rodapé do Evangelho, e se aferrenham a elas, inibindo neles próprios qualquer disposição para um retorno aos paradoxos do Evangelho originalmente proclamado, ensinado e vivenciado por Jesus.

Ao lermos as páginas evangélicas da bíblia cristã, somos informados que a mensagem de Jesus haveria de produzir uma dupla reação: nos que cressem uma profusa alegria e nos que a rejeitassem um intenso ódio. Mas, esse sub cristianismo insonso proclamado a plenos pulmões e por todos os meios de comunicação, por ampla maioria dos grupos evangélicos que proliferam nos dias atuais, não produz reação alguma. Quando muito um aumento nos referidos róis de membros e em suas receitas financeiras, mas sem qualquer manifestação de amor intenso ou mudanças radicais nos estilos de vida de seus membros. Quando muito, tais ouvintes estão dispostos a inserirem em suas agendas alguns novos compromissos religiosos, mas nada que os obriguem a jogarem suas velhas agendas fora e iniciarem uma agenda totalmente nova. Esse sub cristianismo não exige renúncia e cruz, apenas um segmento na medida do possível da agenda pessoal e social de cada membro.

            Por esta razão creio ser oportuno e necessário voltarmos aos textos evangélicos e torna-los espelhos para podermos fazer uma autorreflexão daquilo que realmente somos e daquilo que Jesus propõe que sejamos.

            A escolha proposital de iniciarmos pelo espelho das chamadas “Bem-Aventuranças”, a partir do texto produzido pelo evangelista Mateus, não é sem razão. Cada uma dessas sentenças paradoxais pronunciadas por Jesus, obrigatoriamente, deve nos arremessar a uma profunda crise de fé e prática; cada uma delas devem nos constranger e nos fazer corar de vergonha.

            Antes de usufruirmos das profusas alegrias prometida em cada uma delas, é necessário e indispensável que experimentemos um genuíno arrependimento e uma profunda contrição pelos nossos pecados, manifestados explicitamente em nossas permanentes contradições, entre o que somos e o que deveríamos ser como discípulos de Jesus Cristo. São raros entre nós aqueles que experimentam essa profusão de alegria, porque são raros entre nós aqueles que experimentam uma contrição genuína e um arrependimento verdadeiro.

            Precisamos urgentemente, mais do que qualquer outra coisa, mergulharmos por inteiro nos paradoxos do Evangelho, expresso em cada uma dessas Bem-Aventuranças, para que morrendo em nós mesmos, sejamos vivificados para uma vida cristã autentica. Precisamos ser desconstruídos completamente por cada uma dessas Bem-Aventuranças, para que sejamos reconstruídos e venhamos experimentar a verdadeira e permanente felicidade!

 

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Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

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Bibliografia Comentada

STOTT, John R. A mensagem do Sermão do Monte. Tradução: Yolanda M. Krievin. São Paulo: ABU Editora, 1989, 2ª ed. Série: A Bíblia Fala Hoje. [Título anterior: Contracultura Cristã]. O autor tem escrito obras importantes voltadas para uma reflexão sobre a prática do cristianismo. A mensagem evangélica não pode ser apenas estuda pelos seus aspectos teológicos e nem dissecada pelos acadêmicos, essa mensagem precisa ser vivenciada. Para Stott o chamado Sermão do Monte é para ser apreendido e manifestado de forma prática e encarnada, para que possa fazer diferença na Sociedade contemporânea. O título original, mantido na versão anterior em português, expressa muito melhor o propósito que o autor tinha ao elaborar essa série de estudos sobre essa porção de ensinos organizado pelo evangelista Mateus nos capítulos 5 a 7 de sua narrativa evangélica. De fato, o Evangelho proclamado por Jesus foi e continua na contramão da proposta das sociedades mutantes que se sucederam desde aqueles dias de Jesus na Palestina judaica. Nos dias atuais, onde os valores são medidos pelos interesses pessoais, totalmente controlados por uma natureza humana mesquinha e depravada, os valores propostos por Jesus e preservados nas páginas evangélicas de Mateus continuam sendo a única alternativa para a construção de uma Sociedade justa e genuinamente humana. Assim, apesar de ser uma obra contextualizada em um período anterior à nossa, para aqueles que desejam uma análise pratica dos conceitos encontrados no Sermão do Monte, a obra de Stott continua sendo altamente recomendável e será utilizada nessa série de textos sobre as Bem-Aventuranças. 


  

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APOCALIPSE: Por que estudar o livro do Apocalipse?  (Apocalipse) escrito em quinta 07 maio 2015 12:19

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, APOCALIPSE: Por que estudar o livro do Apocalipse?

Apocalipse é um livro importante para se estudar pelo fato de que se constitui na pedra angular da Revelação de Deus ao ser humano. Apocalipse é o livro da conclusão, pois ele diz-nos o fim da história que começou em Gênesis! É impossível imaginarmos o Segundo Testamento sem o livro do Apocalipse, pois não há nenhuma outra literatura no cânon cristão que pudesse cobrir tal lacuna.

O tema diferenciado do Apocalipse é que nos ensina sobre o futuro. Ele revela que este mundo não esta lançado à própria sorte ou a  mercê tão somente dos designos humanos, que diariamente destrõem o planeta; esse último livro da bíblia nos faz lembrar de que há um Deus que conduz a história humana em todos os seus aspectos, não apenas espirituais, mas também no que se refere a todos os seus aspectos naturais; na leitura dele somos alertados de que Jesus Cristo voltará, agora revestido de toda sua glória e poder, para estabelecer seu Reino, para julgar a raça humana e fazer uma nova criação tanto na terra como no céu.

Apocalipse também é importante porque revela e reafirma as grandes doutrinas contidas nas páginas da Escritura, portanto, é um livro teologicamente rico. Ele manifesta a soberania e a santidade de Deus; declara sem qualquer subterfugio que Deus está plenamente no controle, que Ele não apenas tem um plano como Ele mesmo o esta conduzindo para cumprimento. Apocalipse ensina que só Deus pode prever o futuro e que Ele faz isso com precisão de 100 por cento. Em nenhuma outra parte da Bíblia a cristologia (doutrina de Cristo) é manifestada de forma tão glorioso como no Apocalipse. Jesus é o Cordeiro (28 vezes), que foi morto, ainda está vivo para sempre. Ele é Deus (Ap 1.17; cf. também Isaías 44. 6); Cristo é adorado como Deus (Ap 5.13) e Ele é o centro convergente de toda a história e profecia (Ap 19.10). A salvação é exclusivamente por meio da fé em Cristo e Sua morte na cruz (Ap 1. 5); somente Seu sangue pode lavar nossos pecados (Ap 5. 9; 7.14); Ele é o Leão de Judá, que está voltando como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16). 

Apocalipse trás uma radiografia da real condição depravada do ser humano, que merece o julgamento e por esta razão necessita desesperadamente da graça de Deus. Em nenhum lugar na Bíblia a raça humana é descrita com maior grau de depravação, rebelião e blasfêmia. 

O livro de Apocalipse permite uma visão divina da história. Vemos que nenhum império humano permanecera e que o fim deles será trágico. Nos 404 versos que compõe o Apocalipse, existem cerca de 278 alusões ao Antigo Testamento, de maneira que sua mensagem somente será corretamente compreendida à luz do restante das Escrituras e nunca fora dela. Seu escritor acredita que Primeiro Testamento continua sendo a Palavra de Deus, e ele afirma que a mensagem por ele recebida e transmitida é igualmente divinamente inspirada e autoritária (Ap 1.2). 

O Apocalipse tem muito a dizer sobre anjos e demônios. Na verdade fala sobre anjos mais do que qualquer outro livro da Bíblia; os anjos estão ativos ao longo dos capítulos, especialmente nas manifestações da ira de Deus sobre a terra. A realidade e o mal de Satanás e suas hordas de demônios também estão evidenciadas. Satanás acusa e persegue o povo de Deus e tenta destruí-los, capacita o Anticristo e o Falso Profeta, e, finalmente, será condenado a no lago de fogo.

Uma última razão para se estudar o Apocalipse é que ele contém uma bênção especifica para aqueles que ler e estudar sua mensagem (Ap 1.3). Por este motivo o Apocalipse passou a ser denominado carinhosamente de "o livro da bênção"? Portanto, vale a pena você investir seu tempo no estudo desse precioso livro, esforçando-se por compreender sua mensagem, pois na medida em que apreender os princípios nele contidos, você usufruirá das bênção de Deus!

 

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Guedes, Ivan Pereira

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A PASCOA NO EVANGELHO DE MARCOS – Caminhando pelo Templo  (Páscoa) escrito em sexta 03 abril 2015 12:44

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O evangelista Marcos registra que após Jesus entrar de forma impactante na cidade de Jerusalém ele se dirige até o Templo[1] mas, diferentemente de seus colegas Mateus e Lucas, nesse primeiro dia (domingo) Ele apenas caminha pelas suas dependências e compartimentos sem demostrar qualquer reação mais contundente em relação ao que observava (v.11),[2] segundo Marcos isso haverá de acontecer no dia seguinte (segunda) quando retornara com seus discípulos logo pela manhã.

Uma das razões pelas quais Jesus se mantém contido é o fato de que já estava tarde, lembrando que o dia judaico encerra as 18h00, quando do pôr do sol. A cidade está efervescente com seus moradores e os milhares de visitantes que advinham por ocasião da páscoa judaica; bastava uma pequena fagulha para que explodisse uma revolta e era tudo que Jesus não desejava. Ele não estava ali para produzir mais uma revolta judaica, sua tarefa era muito maior, sabia que Sua obra iria além da restituição de um reino judaico/israelita; Ele veio para inaugurar um Reino muito mais grandioso e glorioso do que qualquer outro reino humano, Jesus veio inaugurar o Reino de Deus que haverá de extrapolar as fronteiras geográficas e étnicas, alcançando todas as tribos, povos e raças e que se estendera até os confins da terra.

Outra razão é que sua entrada entremeada com as características messiânica exigia que Ele fosse até o Templo para que o quadro pudesse estar completo. O cetro do reino messiânico não está no palácio de Herodes e muito menos em Roma, mas no Templo, como na teofania contemplada pelo profeta Isaías que ao adentrar o Templo declara: “Vi o Senhor assentado em seu alto e sublime trono”. O Templo deveria ser o marco continuo da presença de Deus reinando no meio de Seu povo; pelo menos foi assim quando da inauguração do primeiro Templo nos dias idos de Salomão, quando a glória de Deus permeou todo o ambiente, mas já nos dias do profeta Ezequiel essa mesma glória divina havia saído completamente do Templo, permanecendo apenas um edifício, que mesmo revestido das maiores riquezas, ficara esvaziada do seu maior e mais precioso tesouro – a presença da glória de Deus. A presença de Jesus caminhando pelos espaços do Templo simbolicamente representa o retorno da presença divina.

Mais uma razão encontramos no relato evangélico de Marcos quando nos informa que enquanto Jesus caminha pelos espaços do Templo “observa tudo atentamente”. Seu objetivo é obvio, Ele está fazendo um levantamento, nada lhe escapa, cada detalhe é armazenado, mas esse “olhar” perscruta muito mais do que o exterior, penetra os corações e discerne as intenções dos corações daqueles que estão ali se aproveitando da religiosidade das multidões que afluem para o Templo na expectativa de encontrarem conforto para suas vidas sofridas, mas são explorados não apenas pelos comerciantes e agiotas, mas principalmente pelos sacerdotes e autoridades maiores do Templo, que se enriquecem dos infortúnios dos pobres e desvalidos. Mas a noite de domingo se aproxima rapidamente, e Ele sabe que os olhos das autoridades religiosas judaicas estão depositados sobre cada movimento dele e apesar de faltarem poucos dias ainda não é o momento adequado para sua prisão e morte, ainda há coisas a serem feitas, por esta razão se retira com seus discípulos para a pequena amada e acolhedora Betânia. Deixa para trás o movimento agitado de Jerusalém, e terá oportunidade de passar as suas últimas instruções aos discípulos, bem com ruminar tudo que presenciou no Templo e buscar na comunhão com o Pai o fortalecimento para suas ações no dia seguinte, pois Ele sabe que – a areia da ampulheta está acabando – a Sua hora se aproxima rapidamente.

Jesus retorna para Betânia![3] Essa pequena vila, com suas vinte e poucas casas, situada nas escarpas do Monte das Oliveiras, pouco mais de três quilômetros da cidade de Jerusalém e que poderia ser percorrido em menos de uma hora, se constituiu em mais do que uma simples base para Jesus e seus discípulos. Em Betânia Jesus tinha amigos preciosos!  Ali havia uma família que sempre acolhia Jesus e os que o acompanhavam; eram três irmãos Lazaro, Marta e Maria. Nas diversas vezes que Jesus precisou ir a Jerusalém aproveitava para usufruir do acolhimento caloroso e amigável desses três irmãos. Não era pouca coisa uma vez que Jesus durante seu intenso ministério itinerante “não tinha aonde reclinar a cabeça”, de maneira que Betânia era o mais próximo que Jesus tinha de um “lar”. Poucas semanas antes de sua entrada apoteótica em Jerusalém Jesus havia realizado o extraordinário milagre de ressuscitar Lazaro, que havia sido sepultado havia três dias; esse milagre impactou a vida de muitos judeus, mas também aumentou a pressão dos líderes religiosos que passam a elaborar decisivamente um plano para tirar-lhe a vida. É aqui nesta pequena vila que na noite de sábado que antecede sua entrada triunfal e derradeira, que Jesus é alvo de uma das mais lindas e preciosas expressão de amor, quando durante um jantar que lhe fora oferecido, uma mulher, provavelmente Maria irmã de lazaro, adentra o recinto e sem dizer uma única palavra quebra um vidro de caríssimo perfume e o derrama na sua totalidade sobre Jesus; ambos os acontecimentos, a ressurreição de Lazaro e o derramamento do perfume são interpretados por Jesus como simbolizando sua morte e ressurreição que haveria de ocorrer ao final desta semana iniciada com sua entrada na cidade. A pequena vila era o lugar estratégico para esses últimos movimentos de Jesus, pois apesar da proximidade de Jerusalém era um local tranquilo e seguro: durante o dia fazia suas incursões na cidade com todo seu barulho, agitação, multidões, bem como os embates crescentes com a religião institucionalizada e seus líderes, representados nos diversos segmentos do judaísmo, e principalmente no Templo na figura do Sumo Sacerdote e suas centenas de funcionários levitas; mas à tarde, quando retornava dos embates, encontrava em Betânia o acolhimento e no Monte das Oliveiras a tranquilidade para renovar suas forças na presença do Pai. Não sem razão é neste Monte na proximidade de Betânia que ocorre a Ascensão Jesus poucos mais de quarenta dias após sua ressurreição, diante dos olhares de mais de quinhentos discípulos, conforme informação posterior registrada por Paulo (1 Co 15.3-6). Provavelmente foi para a vila de Betânia que os discípulos retornam assustados e amedrontados logo após a traição de Judas e a prisão de Jesus pela polícia do Templo e uma turba violenta, pois somente Pedro continuou a segui-lo de longe, entre as sombras. Não ousam irem para Jerusalém, pois a cidade tornara-se um lugar hostil e mortífero; aguardam tomados de profunda angustia e temor as notícias que advém; as notícias da sexta-feira são terríveis – Jesus foi crucificado; a dor invade o coração e dilacera a alma de todos eles; no sábado o silêncio envolvem por completo aquelas pessoas, pois até mesmo as expressões de luto, tão comuns aos orientais, são contidas, diante dos temores que os cercam; mas logo pela manhã do domingo, chegam as notícias mais incríveis que eles poderiam ter ouvido: JESUS RESSUSCITOU!! Primeiro foram algumas mulheres que tinham visto Jesus e depois o testemunho de Pedro e João que estiveram no tumulo e encontraram apenas os lençóis com os quais Jesus havia sido envolvido e sepultado. Assim como ocorrera semanas antes, quando da ressurreição de Lazaro, novamente Betânia é palco da vitória da Alegria sobre a Tristeza, da Vida sobre a Morte. JESUS VIVE!!

O Templo, ao qual Jesus se dirige e caminha por seus pórticos, era o coração do judaísmo, bem como da própria cidade de Jerusalém. Diferentemente de outras grandes cidades, como Corinto e Éfeso onde se localizavam diversos templos espalhados em seus perímetros, Jerusalém era uma pequena cidade à sombra de um único Templo. Como um poderoso sol, ao redor do Templo gravitava todos os acontecimentos da cidade, quer fossem religiosos, políticos, econômicos ou sociais. O próprio Império Romano vivenciou um dilema, pois sabia que mexer no Templo era provocar a ira e revolta dos judeus, entretanto, precisavam controlar esse centro de poder para ter de fato o controle sobre essa estratégica cidade. Paliativamente a questão foi solucionada mantendo-se uma guarnição completa de soldados alocados na Fortaleza Antônia, que tinha entrada direta para os pátios do Templo, proporcionando um controle vigiado – estamos aqui, não tente nada. Esse entrave foi resolvido pelos romanos no início da década de 70 d.C. quando após mais uma revolta judaica eles não apenas invadiram a cidade, mas destruíram completamente o Templo e assim estabelecendo definitivamente seu controle sobre Jerusalém e toda a região.

 

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* A figura é de um dos átrios do Templo os quais Jesus percorreu após entrar na cidade de Jerusalém.

[1] Para Templo o termo grego aqui usado é “hieron” (refere-se ao conjunto dos átrios que compunham o espaço externo); o outro termo é “naos” (Santuário; que consiste nos dois espaços internos o Lugar Santo e o Santo dos Santos; cf. Mt 23.16).

[2] Muitos exegetas colocam esse verso 11 na perícope precedente, todavia parece mais coerente com a narrativa de Marcos mantê-lo como um divisor de acontecimentos. Para Marcos os episódios envolvendo os vendilhões no Templo ocorrerão no dia seguinte, Mt e Lc coloca logo após sua entrada triunfal.

[3] Atualmente Betânia continua sendo uma pequena vila, pouco mais de vinte minutos de Jerusalém. Os árabes de El-Azarieh mantiveram o nome pelos quais os bizantinos a chamavam “Lazarium”, que seria, “o lugar de Lázaro”.

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A PASCOA NO EVANGELHO DE MARCOS – Entrada Triunfal em Jerusalém  (Páscoa) escrito em quarta 11 março 2015 20:04

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, A PASCOA NO EVANGELHO DE MARCOS – Entrada Triunfal em Jerusalém

A narrativa evangélica produzida por Marcos é a mais curta entre os quatro Evangelhos, mas de forma alguma implica em que seja menos relevante ou que seu conteúdo seja limitado. Ainda que no arranjo do Segundo Testamento e/ou Novo Testamento de nossa bíblia cristã esse evangelho foi colocado em segundo lugar, muitos são os estudiosos que defendem com afinco que seja essa a narrativa que primeiramente começou a circular e que os demais evangelistas Mateus e Lucas[1] fizeram dele a espinha dorsal de suas próprias narrações.

O texto produzido por João Marcos, reproduzindo as memórias do Apóstolo Pedro, é rico em detalhes e informações concernentes a Jesus e seu ministério, construído com uma dinâmica que tira o nosso folego, o que prende seu leitor do começo ao fim. Desde o inicio a narrativa nos revela um Jesus em continuo movimento, seu ministério é totalmente itinerante, não se preocupando totalmente com pessoas. Em nenhum momento Jesus se preocupa com coisas ou com sistemas religiosos, pois Ele não veio para estabelecer um Reino material e nem estabelecer mais um Sistema Religioso – em suas próprias palavras: “Eu vim buscar e salvar o que estava perdido”. Somente este aspecto demonstra o abismo que existe entre a proposta evangélica de Jesus e o que se apelida de “evangélico” no Brasil nos dias presentes (quem tem olhos veja).

Uma característica da narrativa elaborada por Marcos, posteriormente seguida pelos seus colegas evangélicos, é destacar ou enfatizar a última semana de Jesus a partir de sua entrada triunfal na cidade de Jerusalém, onde ele dedica a terça parte de seu texto aos acontecimentos desta última semana.[2] No caso especifico de Marcos inicia-se no capítulo onze até o quinze, culminando com a ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana. Podemos perceber o contraste entre a brevidade do relatório dos acontecimentos anteriores e os pormenores por ele anotados no que se refere à Semana da Paixão.

O capítulo onze inicia com a entrada de Jesus em Jerusalém, mas diferentemente das vezes anteriores em que sua presença não chamou muito atenção das autoridades romanas ou religiosas judaicas, essa vai ser acompanhada de uma comoção popular impossível de não ser percebida.

Para termos uma visão mais ampla do capítulo onze podemos subdividi-lo conforme segue:

(versos 1-10) entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém

(verso 11) visita rápida ao Templo e retorno a Betânia

(versos 12-14) maldição da figueira no percurso de Betânia a Jerusalém

(versos 15-19) expulsão dos vendilhões do Templo

(versos 20-25) ensino sobre a fé e a oração

(versos 27-33) as lideranças judaicas questionam a autoridade de Jesus

 

Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém

Como em toda sua narrativa o evangelista Marcos mantém o comedimento sem, todavia, perder os detalhes. Seu enfoque esta no fato de que as pessoas pressentem que Aquele que adentra aos portões da cidade esta investido de características messiânicas, razão pela qual se manifestam de forma tão efusiva e Jesus aceita essas manifestações, pois tem plena consciência de quem Ele é e do que haverá de enfrentar nos dias a seguir.

A narrativa realça diversas referências que levam seus leitores a ter a percepção do messianismo de Jesus:

  • Jesus escolhe adentrar na cidade montado em um jumentinho[3] – clara referência à profecia de Zacarias (9.9). A utilização do jumentinho sempre foi um contraponto em relação à ostentação dos poderosos que utilizavam seus cavalos mais vistosos para suas entradas triunfais; os jumentinhos eram animais utilizados pelos mais simples e para tarefas corriqueiras; os próprios Mestres judaicos encontravam dificuldades em entender porque o profeta havia feito tal escolha para apresentar o Messias em sua entrada triunfal montado em um animal tão humilde. (nós também continuamos a não entender). O fato peculiar de ser um jumento que ainda não havia sido utilizado esta relacionado com o conceito de pureza, visto que, ainda não havia sido maculado e portanto estava apto para utilização sacral , o que caracterizava aquela entrada de Jesus Cristo o Messias.(cf. Nm 19.2; Dt 21.3; 1 Sm 6.7).
  • A utilização de manto sobre o jumento é simples pelo fato de Jesus não montar em pelo e as mantas e folhas de palmeiras colocada pelas pessoas no trajeto de Jesus era uma deferência de aclamação popular diante de uma figura real (cf. 2 Rs 9.13), bem como uma referência ao cântico de Débora (Jz 5.10) bastante conhecido e popularizado entre os judeus.
  • A expressão “Hosana” é extraída do Salmo 118.25[4] (Ó Senhor, por favor, salva-nos!) mas que naqueles dias havia tornado uma espécie de “Viva!” utilizado em qualquer tipo de aclamação e que durante a Festa dos Tabernáculos havia o “Dia do Hosana”. Complementando as pessoas diziam enquanto Jesus passava: “Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor...” parte do mesmo salmo citado acima verso 26, utilizada também na Festa dos Tabernáculos, e Mateus o combina com a expressão messiânica “Filho de Davi” (21.9), mas também para recepcionar os soldados quando retornavam vitoriosos de uma batalha, visto que para os judeus as vitórias eram sempre a manifestação do favor de Yavé. Ainda o refrão “Bendito seja o Reino que vem, o reino de Davi, nosso pai”, exclusivo de Marcos, coaduna com toda a expectativa acumulada ao longo dos séculos da esperança escatológica relacionada ao trono de Davi, que haveria de ser restaurado. Infelizmente a multidão esta pensando tão somente em uma restauração nacional, com reestabelecimento da torno davídico, de cunho terreno e político.   Por fim, a expressão “Hosana no mais alto dos céus”, era a expressão maior de gratidão ao mesmo tempo em que se revestia de um clamor do crente, encontrada em diversas ocasiões nos relatos bíblicos da bíblia hebraica, e nos remete também ao Salmo 148.1 e Lucas 2.14..

O que o relato sucinto de Marcos deseja expressar é que tanto da parte de Jesus, quanto dos discípulos e da própria multidão, havia um consenso de que aquele momento de revestia de muito maior importância do que se poderia contemplar apenas com os olhos e ouvidos. Essa entrada de Jesus é algo diferente, algo completamente novo, que vem ao encontro das aspirações de uma população sobrecarrega pelos anseios da vida e esmagada pela tirania de governantes políticos e religiosos inescrupulosos, que agiam somente em busca dos seus próprios interesses (mais uma vez quem tem olhos veja). Era a vinda do Messias que os libertaria de seus aguilhões físicos, emocionais e espirituais. Jesus torna-se a esperança deles – Hosana! Hosana! Hosana! Seus milagres anteriores e mais recentemente a ressurreição de Lazaro fomenta as aspirações dessa população cansada e sobrecarregada.

Jesus não adentra a cidade de Jerusalém como um rei ou general triunfalista, como tantos já o haviam feito na história dos judeus e nem mesmo escoltado por um exercito poderoso; Jesus esta entrando para atender não as expectativas populares, que ao final daquela mesma semana mudaram completamente em relação a Ele, mas para cumprir os desígnios de Deus conforme havia anunciado em diversas ocasiões anteriores e que Marcos registra de forma tríplice desde quando se iniciou a subida para Jerusalém (8.31-32; 9.30-32 e 10.32-34).

Ademais, a entrada de Jesus é o cumprimento minucioso das palavras proféticas de Zacarias 9.9:

Exulta com todas as tuas forças, ó filha de Sião,

Grita de alegria, ó filha de Jerusalém!

Eis que teu Rei vem a ti:

Ele é justo e vitorioso, humilde e montado num jumentinho,

sim, montado num jumentinho, filho de uma jumenta.

Suprimira os carros de guerra de Efraim

e os cavalos de Jerusalém;

o arco de guerra também será suprimido.

Proclamai a paz para as nações,

sua dominação irá de mar a mar, e do rio aos confins da terra.

Aqui estão as características do Messias: sua Justiça não seria implantada pela força dos exércitos e das guerras, mas pela simplicidade e humildade. Jesus cumpre literalmente as expectativas messiânicas de Zacarias (corroborada pelas mensagens do profeta Isaías 9.6,7; 35.5,6; 40.11; 42.1-4; 60.1-3; 61.1-3), pois não veio para implantar um reino temporal, mas um Reino espiritual e eterno. (toda essa ostentação religiosa que se faz em nome do Reino de Deus, nada tem haver com a proposta messiânica de Jesus e dos profetas bíblicos).

A rejeição posterior além das maquinações politico-religiosa das judaicas tem também a frustração dessas pessoas que clamavam Hosana, pois foram percebendo que o messianismo proposto por Jesus não era o messianismo temporal e bélico, de espírito revanchista, que eles aspiravam ansiosamente, mas Jesus propõe resgatar o messianismo autentico proclamado pelos profetas israelitas – religioso e espiritual – um messianismo de arrependimento e conversão base para o estabelecimento do genuíno Reino de Deus sobre a terra.

É preciso que tenhamos uma compreensão correta daquele primeiro “Domingo de Ramos” e suas implicações. Por não perceberem a dimensão espiritual da mensagem de Jesus e seu Reino, aquelas pessoas sentiram-se traídas e a frustração as impulsionou a gritarem com o mesmo entusiasmo anterior: Crucifica-o, crucifica-o e solte Barrabas. Infelizmente, nos dias presentes, os líderes evangélicos tem oferecido um “evangelho” materialista e hedonista, que tem atraído multidões aos seus cada vez maiores e magníficos templos; quando estas pessoas perceberem que estão sendo ludibriadas, certamente teremos uma reação violenta.

Mas quando compreendido em seu sentido espiritual, esse primeiro “Domingo de Ramos” torna-se esplendorosa manifestação do amor de Cristo! Em momento algum Ele se deixa seduzir pelos hosanas da multidão, mas tinha plena consciência de que seria o suficiente para deflagrar a ira dos líderes religiosos de Jerusalém que a muito procuravam motivos para sentencia-lo à morte. Mas foi exatamente para isso que Ele havia deixado sua glória e tornado ser humano – a cruz!

Ao adentrar na cidade de Jerusalém, montado naquele jumentinho, Jesus manifesta mais uma vez Seu imensurável AMOR para com os pecadores, pois ao final daquela semana Ele estaria MORRENDO na cruz para salvação deles. Receberia sobre si a sentença de morte do tribunal divino e desceria ao inferno no lugar deles.

Para todos aqueles que verdadeiramente CREEM em Jesus Cristo aquele primeiro “Domingos de Ramos” é verdadeiramente TRIUNFAL! O triunfo da absolvição sobre a condenação, da salvação sobre a condenação, da vida sobre a morte!

 

 

Utilização livre desde que citando a fonte

Guedes, Ivan Pereira

Mestre em Ciências da Religião.

Universidade Presbiteriana Mackenzie

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[1][1] Ele demarca em diversas ocasiões esta derradeira subida de Jesus á Jerusalém (9.51; 10.38; 13.22; 17.11 e 19.28). Muitos estudiosos percebem nesta parte da narrativa a maioria das fontes peculiares a Lucas. Ainda que essa viagem não contenha uma coerência geográfica e cronológica, ela é estabelecida por uma coerência temática – a salvação – que será colocada por diversos ângulos e perspectivas. A ênfase deixa de ser Jesus o curador e passa a ser Jesus o salvador.

[2] Mateus (21.1-17); Lucas (19.28-44) e João, o mais breve dos quatro (12.12-19).

[3] Os lexicógrafos oferecem diversos nomes para esse animal: asno, burro, jumento, burrico, jegue e jerico – sempre se referindo a um animal domestico quadrúpede solípede, que era amplamente utilizado pelos povos asiáticos e mediterrâneos para transporte de carga. O animal referido por Marcos é o jumentinho (burrico, jegue, jerico) e não o asno ou burro, resultante do cruzamento da égua com o jumento. Nas narrativas bíblicas o burrico é mencionado abundantemente na história dos hebreus. Eram parte dos bens e riqueza deles, de maneira que é citado na legislação mosaica para que não se cobiçasse o burrico do próximo (Ex. 20.17; Dt 5.21 e 28.31). Nos textos poéticos o burrico é mencionado sempre de forma positiva (Gn 49.14; Jz 5.10; Is 1.3).

[4] Esse Salmo contém forte apelo messiânico. Nele esta a figura amplamente utilizada pelos escritores do Segundo Testamento (NT) da “pedra angular” (Mc 12.10; Mt 21.42; Lc 20.17; Atos 4.11 e 1 Pe 2.7).

 

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Profetas - Diversidade Contextual  (Profetas - Fichário) escrito em terça 03 março 2015 06:30

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, Profetas - Diversidade Contextual

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Os profetas bíblicos transitam entre dois mundos: ao falarem ousadamente em nome de Deus eles se colocam como mensageiros para seu povo e assim também são percebidos pelos seus ouvintes. Desta forma os profetas alegam terem acesso a uma dimensão onde outras pessoas não têm. Eles contemplam cenas e testemunham atividades nas regiões celestiais, tais como a entronização de Deus e o testemunho desta soberania pelos seres celestiais (cf. 1 Reis 22 e Isaías 6). Eles recebem ordens diretamente de Deus e são informados sobre os propósitos imediatos e futuros de Deus para seus contemporâneos e demais povos.

Entretanto, os profetas permanecem inteiramente humanos, influenciados por seu mundo, inseridos no tempo histórico-cultural de seus dias. Ainda que sejam portadores de uma mensagem recebida diretamente da parte de Deus, sua concepção de mundo e sua língua, bem como a maneira de falar e de atuar, suas concepções da politica interna e externa são resultantes da realidade em que estão atuando.

Desta forma, ao estudarmos os profetas bíblicos, torna-se necessário levar em conta as diversas forças que exerceram influência sobre eles. Isto não é algo muito simples devido ao fato que o mundo dos profetas é distinto do nosso e difícil de ser reconstituído. Muito da sua geografia e sistemas políticos ainda são desconhecidos, sua cultura tem uma forte influência estrangeira, a língua utilizada não são mais faladas, seus estilos literários e suas mensagens e ações registradas não são tão claras.

Assim, para se compreender com mais propriedade e clareza a mensagem e as ações dos profetas é indispensável examinar os diversos contextos em que eles estavam inseridos. Uma vez identificado estes contextos temos uma base mais sólida para interpretar os profetas dentro do texto bíblico.


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Guedes, Ivan Pereira

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