APOCALIPSE – Símbolos e Imagens  (Apocalipse) escrito em quinta 09 setembro 2010 08:11

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Quando falamos sobre símbolos e imagens encontradas no livro do Apocalipse é preciso deixar bem claro que João não inventa absolutamente nada. Ele busca incansavelmente nas páginas do AT, sua fonte primária, os símbolos e imagens que ilustram sua mensagem, sempre mantendo o seu valor primitivo. Assim, João pressupõe que seus leitores imediatos têm em suas mentes não apenas os elementos constitutivos como também o seu significado original.

Assim, quando ele utiliza a expressão “Filho do Homem”, esta certo de que esta figura é suficiente para trazer à memória dos leitores toda a mensagem profética de Daniel de onde emana esta expressão e portanto fica evidente a ligação e aplicação que ele faz com a figura messiânica de Jesus.

Evidentemente que mesmo mantendo o valor original ele faz modificações em conformidade com as situações e contextos na construção de seu texto e em momento algum fere os princípios de uma genuína exegese veterotestamentária. E mesmo quando, ainda que raramente, utiliza-se de símbolos que não tem origem nas páginas do AT, ele é extremamente cuidadoso para não se deixar dúvidas quanto à interpretação destas. Um exemplo é o símbolo das “estrelas” que não encontram evidências claras no AT e portanto, João coloca na boca de Cristo uma explicação “estrelas – anjos” (cf. 1.20); então a partir desta definição o símbolo mantém sempre seu significado sem alterações.

Quando não se leva estas questões em conta corre-se o risco de interpretar cada símbolo e imagem individualmente e aleatoriamente, arrancando-os do contexto próximo (o próprio livro) e seu contexto remoto (o Antigo Testamento). Esta é a pedra em que a grande maioria dos estudantes deste livro tropeça e caem.

Quaisquer que fossem os critérios utilizados seria quase impossível alistarmos nominalmente todos os símbolos e imagens que ocorrem no Apocalipse. Por exemplo, o símbolo do Trono aparece quarenta e sete vezes no livro. Assim sendo, ficaremos nas principais e na primeira referência que ela aparece.

CORES: em todas as culturas, as cores adquirem um significado simbólico. No Brasil o verde relaciona-se com a esperança. No Apocalipse:

- Branco (Ap 2.17): vitória, glória, alegria, beleza, pureza, inculpabilidade, absolvição.

- Vermelho (Ap 6.4): sangue, fogo, guerra, perseguição.

- Amarelo-esverdeado ou lívido (Ap 6.7): cor de cadáver que se decompõe; moléstia e morte.

- Púrpura e escarlate (Ap 17.4): luxo e vestimenta real.

- Preto (Ap 6.5): infortúnio, opressão, fome, injustiça.

NÚMEROS: Em nossa cultura os números também tem significado: sete é conta do mentiroso e treze é número de azar. Vejamos no Apocalipse:

- Três – É o superlativo hebraico: divino, plenitude (Ap 21.13) e santidade (Ap 4.8) = 3 x Santo.

- Quatro – Número cósmico: os 4 cantos da terra, toda a terra (Ap 4.6; 7.1; 20.8); os 4 elementos do universo: terra, fogo, água, ar; quadrangular (Ap 21.16): sinal de plenitude, de equilíbrio ou de perfeição.

- Sete – É uma composição de 3+4. Indica plenitude, perfeição, totalidade, acabado (Ap 1.4); metade de 7 é três e meio (Ap 11.9); aparece também como “um tempo, dois tempos, meio tempo” (Ap 12.14; Dn 7.25), três anos e meio: é a duração limitada das perseguições, o tempo controlado por Deus.

- Dez – “Dez dias de provação” (Ap 2.10; cf. Dn 1.12,14) tempo de curta duração.

 - Doze – É uma composição de 3x4; número de perfeição e de totalidade (Ap 21.12-14).

 - Vinte e quatro – É uma composição de 2x12; representa a totalidade do povo de Deus, os 24 anciãos (Ap 4.4) incluindo tanto os representantes do povo do AT (12 tribos) e do povo do NT (12 apóstolos).

- Quarenta e dois meses (Ap 11.2) é igual a três anos e meio, é igual a 1.260 dias (cf. Ap 12.6), isto é, a metade de sete anos; indica o tempo limitado por Deus.

- Cento e quarenta e quatro – é uma composição de 12x12 (Ap 21.7) trazendo a idéia de grande perfeição e totalidade.

 - Seiscentos e sessenta e seis – É o número da Besta (Ap 13.18); em grego e em hebraico, cada letra tinha um valor numérico; o número de um nome era o total do valor numérico de suas letras; o número 666 é do nome César-Neron, conforme o valor das letras hebraicas, ou César-Deus, conforme o valor das letras gregas; é também o número de maior imperfeição; seis não alcança sete, é so a metade de doze, e isto por três vezes; assim, o número 666 é o cúmulo da imperfeição!

- Mil – Designa uma quantidade ou prazo de tempo completo; reino de mil anos (Ap 20.2); as combinações são muitas – 7x1.000=7.000 (Ap 11.13); 12x1.000=12.000 (Ap 7.5-8); 144x1.000=144.000 (Ap. 7.4) – somente Deus sabe quanto cabe em mil!

Continua....

 

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Este número dá estrutura ao livro; às sete cartas (2.1-3.22) seguem-se três outros grupos de sete em que se desenvolvem as visões do destino: os sete selos (6.1-8.2), as sete trombetas (8.2-11.19), as sete taças (15.1-16,21).

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