VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO – Cidade de Felipos  (Atos) escrito em sexta 18 junho 2010 20:15

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Depois que a Macedônia foi conquistada pelo Império Romano (168 a.C.), ela foi divida em quatro repúblicas e/ou distritos, e cada um tinha sua própria administração autônoma.  Esta foi a forma que os romanos encontraram de quebrar o nacionalismo macedônico.

Mas não foi suficiente, pois em 148 a.C. houve um forte levante totalmente dominado pelas tropas romanas, mas que trouxeram mudanças políticas e a Macedônia tornou-se uma  província romana. Nos primeiros anos do Novo Testamento (15 d.C. a 44 d.C.) a Macedônia foi anexada a outras duas cidades Acaía e Mésia formando uma enorme província. Entretanto nos dias de Paulo (Atos) ela já tinha voltado a ser uma província senatorial (44 d.C.).

A cidade de Filipos estava localizada na parte oriental da Macedônia, ao nordeste da Grécia atual, e por sua localização geográfica acabou adquirindo uma importância estratégica: estava apenas a dezesseis quilômetros do mar, o que levou Lucas a informar que “navegamos de Filipos” (Atos 20.6); tinha uma planície muito fértil; tinha total acesso à Via Inácia, uma das mais importantes estradas do Império pois ligava a Ásia e o Ocidente; estava muito próxima também das ricas minas de ouro localizadas nas montanhas mais ao norte. Por tudo isto fica fácil entender a importância desta cidade nos dias de Paulo e para a própria expansão do cristianismo através dela.

Tem sua importância histórica, pois seu nome deriva-se do pai de Alexandre, o Grande (Felipe II, da Macedônia) e foi partindo de Filipos que Alexandre partiu para conquistar o mundo. Nos dias de Otávio foi denominado de colônia romana o que lhe proporcionava um status político do nível de Roma. Era comum que cidadãos romanos procurassem estabelecer-se nas colônias para assegurar sua romanização.  Desta forma tais colônias recebiam uma série de vantagens ou privilégios. A possessão mais valiosa e estimada dessa colônia era o ‘direito italiano’ (o ius Italicum )pelo qual a posição legal integral dos colonos com respeito a propriedade, transferência de terras, pagamentos de impostos, administração local e lei, era a mesma como se o colono estivesse em território italiano; de fato, mediante uma ficção legal, ele estava na Itália’). Os próprios colonos haviam sido descritos como ‘miniaturas à semelhança do grande povo romano’.

Numa população tão heterogênea a religião é diversificada: juntamente com o culto imperial, obrigatória, pois tinha uma função nacionalista, os cultos indígenas (trácios), mas também gregos, itálicos, anatólios, sírios, egípcios formavam um caleidoscópio sincretista, onde o monoteísmo exclusivista do judaísmo desempenhava um papel secundário.

Há uma certa discussão sobre a expressão de Lucas em que ele declara que Filipos era “a primeira cidade do distrito”. Historicamente Tessalônica era a capital deste distrito e Anfípolis era maior do que Filipos, portanto, Lucas teria se equivocado. Alguns estudiosos mudam o termo ‘protes’, por ‘proto’ para suavizar a polemica, mas não é necessário, pois o que Lucas deseja é indicar que Filipos tinha a sua importância e seria, como de fato foi, fundamental na estratégia missionária na Europa. Ramsay declara acerca desta polemica: “Anfípolis era considerada a primeira cidade por consenso geral; Filipos era primeira por sua própria opinião” (St. Paulo, the Traveller, págs. 206-207).

A importância de Filipos para o trabalho missionário na Europa não pode jamais ser minimizado. O inicio de uma comunidade cristã forte na cidade animou Paulo e seus companheiros e ela tornou-se uma espécie de portão de entrada do trabalho missionário na Europa, dali eles partem para Tessalônica e depois Corinto e Éfeso. Evidente que já havia outras comunidades (Roma) mas Filipos tem um toque especial, pois Lucas registra o seu nascimento e Paulo o seu desenvolvimento.

Esta igreja tornou-se particularmente importante na vida de Paulo e sua equipe. Sabemos pelas correspondências do NT (II Co 8.1-6; 11.9 e Fp 4.16) que aqueles irmãos sempre apoiaram Paulo e seu trabalho missionário, tornando-se um modelo de igreja missionária. A epístola de Paulo aos filipenses é um dos textos mais lindo de todo o NT, pois revela toda a ternura do coração deste Apóstolo dos Gentios, que enfrentou tantas lutas e adversidades, mas jamais deixou seu coração se amargurar.

Mesmo depois dos dias apostólicos, no começo do século II d.C., temos a preciosa figura de Inácio, bispo de Antioquia, que recebe a sentença de morte por causa de sua fé cristã. Escoltado pela guarda de Trajano eles praticamente fizeram o percurso de Paulo e seu grupo, e estiveram em Filipos. Ali Inácio foi acolhido com todo amor e carinho cristão. Tiveram o cuidado de escreverem duas correspondências: uma foi enviada à Igreja de Antioquia, consolando aqueles irmãos e a outra direcionada a Policarpo, pedindo que lhe enviassem cópias dos escritos de Inácio (Policarpo – Epistola aos Filipenses).

Representantes desta igreja, bispos, compareceram aos concílios de Laodicéia, Éfeso e Calcedônia. A cidade da qual hoje temos apenas ruínas arqueológicas, perdurou até a idade Média quando foi destruída pelos turcos.

Rev. Ivan Pereira Guedes

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“O vocabulo grego ‘meris’, empregado por Lucas para indicar uma região ou ‘distrito’, na opinião de alguns eruditos, era antes considerado um erro da parte de Lucas. Mas os papiros descobertos nas areias de Fayum, no Egito, demonstraram que esta palavra era usada como expressão idiomática, para denotar as divisões de um distrito”. Champlin, R. N. Enciclopédia de B´[iblia, Teologia e Filosofia, v.2, ed Hagnos, 8ª ed, 2006, p.762.

“As províncias romanas dividiam-se em duas classes: as que precisavam de tropas e as que não precisavam. Estas eram administradas pelo senado e governadas por procônsules; aquelas ficavam sob a administração do imperador. As maiores províncias imperiais eram governadas por representantes de categoria senatorial, tendo uma ou mais legiões sob seu comando; as menores, por procuradores de nível de cavalaria, como era o caso da Judéia.” Williams, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo – Atos, notas adicionais 33 (13.7), p. 254.

Nos dias de Filipe da Macedônia “floreciam ali as minas de ouro, e moedas de ouro foram cunhadas em nome de Filipe, tornando-se facilmente reconhecidas como válidas nas áreas circundantes”. Champlin, R. N. Op. cit., p.762.

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