EVANGELHOS – Ministério de Jesus (Tiro e Sidom)  (Evangelhos) escrito em terça 13 abril 2010 18:53

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Nada é mais empolgante do que estudarmos o ministério de Jesus. Entretanto, é muito difícil estabelecer uma ordem cronológica do ministério de Jesus, com base nas informações proporcionadas pelos evangelistas. Isto é decorrente do fato de nenhum deles estava preocupado com uma cronologia, mas sim, em consubstanciar a mensagem proclamada com os fatos históricos a respeito de Jesus Cristo.

Mas um exercício muito proveitoso é utilizarmos os marcos geográficos que os evangelistas utilizam para nos fornecer um esboço dos movimentos de Jesus durante seu intenso ministério. Tendo o evangelho escrito por Mateus, como ponto de referência, iremos viajar com Jesus e seus discípulos por toda região da Palestina testemunhando seus maravilhosos feitos.

REGIÃO DE TIRO E SIDOM

(a filha de uma mulher canaéia é curada – Mt 15.21-28; Mc 7.24-30)

É um momento critico do ministério de Jesus, pois seus adversários, vindos a mando das autoridades eclesiásticas de Jerusalém, o estavam acusando de transgredir a tradição dos anciãos (não a lei de Moisés), e espalhando de que ele e seus discípulos eram imundos e profanos, pois não observavam as leis cerimônias, tais como o lavar as mãos. Após estes embates públicos, entre estes enviados e Jesus, o clima torna-se mortal. A partir deste ponto não haverá mais espaço para qualquer espécie de conciliação e o Senhor sabia disto. Assim Jesus prefere sair da região da Galiléia, como fizera anteriormente ao deixar a Judéia, e vai se refugiar em território gentílico.

Alguns comentaristas, defendendo que Jesus jamais saiu das fronteiras da Palestina, interpretam aqui que ele ficou apenas nos “limites” da fronteira com a Fenícia onde ficam os territórios de Tiro e Sidom.  Mas o texto de Mc contraria totalmente esta interpretação: “De novo se retirou das fronteiras de Tiro, e foi por Sidom ao mar da Galiléia” (7.31). Sem qualquer dúvida Jesus penetrou no território gentílico e ali permaneceu o tempo necessário. O que não trás nenhuma contradição com o fato de que sua missão era exclusivamente para os judeus (Mt 15.24), pois não fora para aquela região para exercer seu ministério (Mc 7.24), o que fica evidente no dialogo dele com aquela mãe fenícia, e quando teve que manifestar seu poder, atraindo a atenção das multidões, ele se retira novamente.

Tiro e Sidom estão situadas na Fenícia (atualmente, o Líbano). Estas cidades estavam localizadas ao norte da Galiléia, aproximadamente entre 65 e 95 quilômetros de Cafarnaum e fazem parte da história desde antiguidade, quando os fenícios dominavam o mundo da navegação.

Tanto Tiro como Sidom possuíam baías naturais, o que lhes proporcionavam excelentes defesas naturais. A Fenícia, que circundava quase que totalmente o norte da Galiléia, estava anexada à Síria. Esta proximidade fronteiriça tornava natural que um viajante da Galiléia (como Jesus e seus discípulos) atravessasse o território de Tiro.

Sidom sempre foi famosa pelo seu intenso comércio e por sua grande riqueza, além de ter se tornado um centro das artes e das ciências. Era o mais antigo mercado dos fenícios. A moderna cidade de Saída, no Líbano, assinala o local da antiga cidade, a 32 quilômetros ao sul da moderna cidade de Beirute.

Tiro é a mesma cidade cujos reis, haviam feito uma aliança com Davi e Salomão. Neste acordo eles forneceriam madeira e hábeis artesões para Israel, que por sua vez enviaria ao rei Hirão, e seus sucessores, mantimentos (cereais) que a população de tiro necessitava (cf 1 Rs 5; At 12.20). Mas as conseqüências colaterais deste acordo comercial foram terríveis para a nação israelita, pois foi a partir desta cidade que a adoração de Baal se introduziu em Israel e lhes causou tantos males e por fim o juízo de Deus que desembocou nos cativeiros Assírio (reino do Norte) e Babilônico (reino do Sul).

O propósito salvifico de Deus, por meio de Jesus, nunca foi exclusivista (apenas os judeus), mas sempre, desde as primeiras promessas redentivas, incluíam todos os povos. O salmista (87.4) declara em alto e bom som que chegaria o dia em que o povo de Tiro e circunvizinhança haveriam de usufruir das bênçãos messiânicas.

Esta profecia já começa a se cumprir quando as pessoas desta região invadem a Galiléia para poderem ouvir os ensinos de Jesus e obterem a cura de suas enfermidades (cf Mt 4.24,25; Mc 3.8; Lc 6.17). Agora é o próprio Senhor Jesus quem se faz presente entre eles.

Rev. Ivan Pereira Guedes

 

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Mc parece indicar que Jesus prefere ficar ali por um determinado tempo, a fim de preparar seus próximos movimentos na Galiléia e também para que a temperatura das controvérsias esfriasse.

É provável que Jesus buscava descanso físico e mental para si e para seus discípulos, como havia já feito anteriormente (Mc 7.31).

O profeta Elias também procurou refugio nesta região, e como Jesus, também realiza um milagre na casa de uma viúva na cidade de Sarepta (1 Reis 17.9; cf. Lc 4.26).

O território era situado na costa oriental do mar Mediterrâneo, e se estendia por cerca de 240 quilômetros entre os rios Litani e Arv arde (hoje Líbano e Latáquia). Fazia fronteira com Israel, através da Galiléia, ao norte e a oeste. Como escreveu Josefo a Fenícia “cercava a Galiléia”.  Após o martírio de Estevão, os cristãos encontraram refugio nesta região (cf Atos 11.19). Paulo e Barnabé optam por passar neste território ao se dirigirem à Jerusalém para participarem do Concílio (cf Atos 15.3). Mais tarde Paulo embarcou perto de Tiro, quando de sua última viajem a Jerusalém (cf Atos 21.2,3).

Foi de Tiro e Sidom que saíram os primeiros marinheiros que orientavam pelas estrelas. Os finicios  circunavegaram o Mediterrâneo e abriam rota através das Colunas de Hércules chegaram às ilhas britânicas e às minas de estanho de Cornwalles. É bem provável que em suas aventuras houvessem circunavegado o continente africano.  

Sidom estava a uns quarenta e dois quilômetros a Nordeste de Tiro e a noventa quilômetro ao Norte de Cafernaum. Como Tiro tinha um quebra-mar natural de rochas e sua origem como porto e cidade era tão antigo que ninguém sabia dizer quem a havia fundado.

Tiro significa “rocha” e decorre do fato de que na sua costa encontram-se duas grandes rochas unidas por um recife de mil metros de comprimento, formando um paredão natural e fazendo de Tiro um dos principais portos naturais do mundo antigo. Mas estas rochas não apenas formavam um quebra mar, mas também tornava-se um instrumento de defesa natural, fazendo de Tiro uma fortaleza.

Ainda que estas cidades fenícias fossem parte da Síria, elas eram independentes e eram rivais. Tinham seus próprios reis, seus próprios deuses e sua moeda própria. Exerciam suprema dentro de um raio de vinte ou trinta quilômetros. Exteriormente estavam diante do mar; e no interior tinham Damasco; pelo mar afluía o intenso comércio naval e por terra as incontáveis caravanas advindas de todas as regiões.

A cidade de Tiro estava situada ao norte do monte Carmelo e ao sul de Sidom. Em sua campanha bélica, Alexandre, o Grande, a tomou, tendo construída uma fortaleza nessa cidade.

Etbaal, sucessor de Hirão, firmou aliança com Israel (reino do norte) mediante o casamento de sua filha, Jezabel, com o rei Acabe. Jezabel introduziu o culto ao deus Baal e tornou-se símbolo da maldade e no livro do Apocalipse seu nome é usado com tal sentido (cf. Ap. 2.20).

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