GENEALOGIA DE JESUS  escrito em sexta 28 novembro 2008 15:12

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Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, GENEALOGIA DE JESUS

Em todo o Novo Testamento consta apenas duas genealogias (MT 1 e Lc 3) e ambas se referem ao Senhor Jesus. É importante ter consciência de que não foram elaboradas para satisfazer o ego de qualquer pessoa, como comumente acontece, mas para salientar o fato de que Jesus Cristo era parte integrante da linhagem de Abraão e Davi e assim cumpria todo o processo profético do Messias registrado no Antigo Testamento[1].

Mateus pega a vertente ancestral de Jesus começando por Abraão, por Davi, por Salomão, e pelos reis, em ordem, até Jeconias, o último rei. Então prossegue nominando os herdeiros ao trono, até Jesus Cristo.

Lucas faz o processo contrário e começa por Jesus e retrocede até Natã (irmão de Salomão) até Davi e deste até Abraão concluindo com Adão, o primeiro homem.

As duas genealogias caminham juntas de Abraão a Davi, mas depois tomam direções diferentes de Davi até José. Os estudiosos têm quebrado a cabeça para conciliar estas diferenças. Antes de verificarmos algumas das propostas sugeridas, é preciso entender que: as duas listas não foram em nenhum momento contestadas, ainda que os inimigos de Jesus sempre tendam a negar-lhe seu direito ao trono de Davi. Os estudiosos em geral têm que aceitar que as genealogias evangélicas são autênticas.

Propostas Sugeridas

1) Uma das linhagens é do avô paterno de José, a outra do avô materno. Tal proposta não passa de uma suposição; é somente conjectura, sem qualquer fundamento sólido.

2) Foi sugerido, em meados do século XV, que Mateus utiliza uma lista dos antepassados de Jesus partindo de José, enquanto Lucas apresenta a sua lista dos antepassados a partir de Maria. Evidentemente que há aspectos positivos nesta tese: a) é certo que Maria também vem da linhagem de Davi (cf. Ro 1.3; Atos 2.30); b) Lucas, dando ênfase à humanidade de Cristo, relata vários eventos da vida de Maria e do nascimento e infância de Jesus. Assim, seria perfeitamente coerente que ele elaborasse sua genealogia segundo a carne; c) o nome de Maria é omitido na genealogia porque Lucas segue o costume judaico de registrar apenas os homens, preferindo assim utilizar o nome de José.[2]

3) A solução mais plausível é que as duas genealogias são, como consta, realmente de José; a descendência de Jesus, tanto em Lucas quanto em Mateus, é considerada segundo o Seu estado legal na família de José. Pois a lei judaica não reconheceria Jesus como da carne e do sangue de Davi, somente por parte de Maria. O estado judicial de Jesus, como Filho de Davi, dependia da Sua genealogia como “filho de José”.

Então por que há duas genealogias de José? A resposta é que o alvo de Mateus é de demonstrar o direito legal de Jesus ao trono, enquanto que o propósito de Lucas é o de dar a própria linha da qual José nascera.[3]

A conclusão é que Lucas elabora a genealogia de Jesus como filho legal de José, segundo seu nascimento. Por outro lado, Mateus traça sua genealogia a partir dos herdeiros ao trono.

Rev. Ivan Pereira Guedes



[1] “O interesse pelas genealogias se fortalecem especilamente devido à profecia messiânica, segundo a qual o futuro Libertador seria a semente da mulher (Gn 3.15), de Abraão (Gn 22.18), de Judá (Gn 49.10) e de Davi (2 Sm 7.12,13)”. Hendriksen, Willian Comentário do Novo Testamento-Mateus, v.1, Ed. Cultura Cristã, 2001, pp. 157-158.

[2] É curioso que Lucas se refere a José como sendo filho de Heli (3.23) e muitos entendem que é pelo fato dele ser “o genro de Heli”. Mas isto é bastante discutível.

[3] Lord Hervey, considerado um especialista em genealogia, comenta: “Ao examinar a genealogia de Mateus, para ver quando se rompeu a linha real de Judá, é claro que foi em Jeconias. Note-se, também, como o Senhor, pela boca de Jeremias, ordenou que esse rei fosse privado de filhos e que ninguém da sua semente se assentasse no trono de Davi, nem reinasse mais em Judá (Jeremias 22.30) ... Os homens depois de Jeconias, desprovidos de filhos, são os herdeiros mais próximos, como também os são em I Crônicas 3.17. Olhando novamente, para as listas em Mateus e Lucas ficamos certos desta conclusão. Os dois nomes que seguem o de Jeconias, Salatiel e Zorababel estão realmente transferidos da outra genealogia (de Lucas), na qual consta que o pai de Salatiel foi realmente Neri, da família de Natã, irmão de Salomão que se tornou herdeiro ao trono de Davi, quando falhou a linhagem de Salomão na pessoa de Jeconias. Assim Salatiel e seus descendentes foram transferidos, como ‘filhos de Jeconias’ para a tábua genealógica real, segundo a lei judaica (cf Nm 27.8-11). Depois as duas genealogias coincidem por duas, ou melhor, quatro gerações. Então aparecem seis nomes, em Mateus, que não se acham em Lucas. A seguir as duas listas concordam no nome de Mata (MT 1.15; Lc 3.24) a quem são atribuídos dois filhos diferentes, Jacó e Heli; mas somente um e o mesmo neto e herdeiro, José o marido de Maria, o reputado pai de Jesus, que se chama o Cristo” cf. Smith’s Bible Dictionary – Genealogy of Christ. 

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