ÊXODO – AS PRAGAS NO EGITO  (AT - Êxodo) escrito em segunda 30 janeiro 2012 09:50

antigo testamento, Êxodo, introdução bíblica, moisés, pentateuco, pragas do egito

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, ÊXODO – AS PRAGAS NO EGITO

Quando nos referimos às pragas[1] manifestadas por Deus contra os egípcios é preciso termos em mente que o propósito primário não é impactar os egípcios, mas sim, demonstrar claramente aos israelitas[2] que o Deus que estava tirando-os do Egito não apenas era o maior, mas acima de tudo, o único Deus verdadeiro e Soberano sobre todos e tudo que por ele mesmo foi trazido à existência (cf. o livro de Gênesis).

Assim sendo, cada praga se constituiu em um desafio aos deuses egípcios e uma censura à idolatria (lição que os israelitas aprenderão apenas depois do cativeiro babilônico). Os egípcios prestavam culto às forças da natureza tais como o rio Nilo, o Sol, a Luz, a Terra, o touro e muitos outros animais. A cada praga manifestada as divindades egípcias ficaram em evidente demonstração de sua impotência perante o Senhor, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de ninguém.  A ordem das pragas é a seguinte, conforme Hoff:[3]

1) A água do Nilo converteu-se em sangue (7:14-25).  Foi um golpe contra o deus Hapi, o deus protetor das inundações do Rio Nilo. O Rio Nilo era considerado um deus e o deus hapi intervia junto o deus Nilo nas inundações;

2) A terra ficou infestada de rãs (8:1-15).  Os egípcios relacionavam as rãs com a deusa da fertilidade Hapi. Todos que queriam a fertilidade invocavam tal divindade.

3) A praga dos piolhos (talvez mosquitos) (8:16-19).  O pó da terra considerado sagrado no Egito converteu-se em insetos muito importunadores; Os sacerdotes egípciosCuravam as pessoas usando o pó sagrado da terra do Egito. Esse pó considerado sagrado agora causava grandes feridas aos egípcios. Era uma profanação aos seus deuses. Devido a essa praga os sacerdotes egípcios ficaram impossibilitados de cumprirem seus rituais. 

4) Enormes enxames de moscas encheram o Egito (8:20-32).  Os egípcios tinham em deus chamado Belzebu, que na crença deles era poderoso para afugentar moscas.

5) Morreu o gado (9:1-7). O deus Amom adorado em todo o Egito era simbolizado em forma de um carneiro, considerado um animal sagrado.  No Baixo Egito eram adoradas diversas divindades cujas formas eram de carneiro, bode ou de touro;

6) As úlceras (9.8-12). Era um duro golpe contra o deus Tifon. Na crença deles essa divindade protegia os egípcios contra qualquer ferida que fosse causada por qualquer coisa. Os sacerdotes invocavam a Tifon e as cinzas do altar dele eram jogadas em todos os doentes. Agora, os próprios sacerdotes foram os primeiros a serem infectados. 7) A tempestade de trovões, raios e saraiva devastou a vegetação, destruiu as colheitas de cevada e de linho e matou os animais do Egito (9:13-35).  Este tipo de tempestade era quase desconhecido no Egito.  O termo “trovão” em hebraico significa literalmente “vozes de Deus” e aqui se insinua que Deus falava em juízo.  Os egípcios que escutaram a advertência misericordiosa de Deus, salvaram seu gado (9:20);

8) A praga dos gafanhotos (10.1-20) trazida por um vento oriental consumiu a vegetação que havia sobrado da tempestade de saraiva. Os deuses Ísis e Seráfis foram impotentes, eles que supostamente protegiam o Egito dos gafanhotos;

9) As densas trevas (10:21-29). A escuridão que caiu sobre o país, excetuando a terra de Gósen, onde Israel habitava, foi um grande golpe contra todos os deuses, especialmente contra , o deus solar.  As luminares celestes, objetos de culto, eram incapazes de penetrar a densa escuridão.  Foi um golpe direto contra o próprio Faraó, suposto filho do Sol;

10) A morte dos primogênitos (cap. 11 e 12:29-36). O Egito estava completamente arruinado (Êxodo 10.7). Agora, passado cerca de um ano desde a primeira praga, vem o golpe mais duro e terrível. “Egito havia oprimido o primogênito do Senhor e agora eles próprios sofriam a perda de todos os seus primogênitos.” Osíris, a divindade de Faraó; o doador da vida, nada pode fazer para proteger os primogênitos dos egípcios. 

Fenômenos Naturais ou Sobrenaturais

Há muita resistência por parte dos chamados anti-sobrenaturalistas em aceitar as chamadas pragas do Egito como sendo manifestações sobrenaturais do poder de Deus. Eles preferem interpretá-las como sendo fenômenos naturais de causa e efeito associados ao ciclo regular das cheias do rio Nilo. Eles atribuem ao conhecimento fenomenológico  do autor que tinha uma cosmovisão “pré-cientifica”. Em suma, estes interpretes naturalistas consideram a narração da praga um artifício literário e uma tradição litúrgica.

Todavia, é impossível ajustar estes conceitos ao aspecto instantâneo da seqüência das pragas no momento imediato da ordem proferida por Moisés e Arão (cf. Ex 8.16,17). Outro aspecto que dificulta a posição acima é a resposta que inicialmente os magos egípcios dão atos de Moisés (Ex 7.22; 8.18,19). E finalmente, o  fato de que enquanto as pragas aconteciam em todo o território egípcio, a terra de Gósem onde os israelitas estavam ficam completamente livre de cada uma das pragas.

Rev. Ivan Pereira Guedes

 ARTIGOS RELACIONADOS

http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r87745/AT-Exodo/

http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r72869/AT-Pentateuco/

http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r72867/AT-Canon/

 



[1] Uma das palavras hebraicas traduzida por praga no livro de Êxodo significa dar “golpes ou ferir”. Outras duas palavras descrevem as pragas como sinais e juízos. Veja vídeo sobre o assunto:http://www.videos.es/reproductor/202xodoasdezpragasdemois233snoegito-primeiraparte-(BDzbF5VBGa4

[2] O texto das pragas em si tem um efeito mais restrito. Ele foi escrito para transmitir um conhecimento de Deus para as futuras gerações de israelitas (10:2). A geração contemporânea é conclamada pelos sinais / maravilhas para responder em obediência, fé e esperança (12:28, 14:31), mas Moisés disse que a história deveria ser transmitida para que as gerações futuras de maneira que elas também pudessem responder a Deus, da mesma forma (Rm 15.4). Os escritores bíblicos posteriores também viram os sinais como uma chamada de resposta (Js 24.17; Ne 9.17; Sl 78).

[3] HOFF, PAUL.  Ibidim, pp.113-114. O número de dez pragas provavelmente trás a idéia de completo e/ou terminado, isto é, por meio destas pragas o Senhor havia demonstrado a grandeza de seu poder de tal maneira que os egípcios não podiam alegar desculpa alguma. 

Compartilhar

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (54.204.77.26) para se identificar     

Nenhum comentário
ÊXODO – AS PRAGAS NO EGITO


Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para reflexaobiblica

Precisa estar conectado para adicionar reflexaobiblica para os seus amigos

 
Criar um blog