Evangelho Segundo Mateus - Características Principais  (Evangelho Mateus) escrito em sexta 15 agosto 2008 01:32

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Principais características deste Evangelho

O Judaísmo do Evangelho. É impossível não perceber o judaísmo que permeia cada página deste Evangelho. Assim, um dos grandes objetivos deste Evangelho é demonstrar que todas as profecias do Antigo Testamento se cumprem em Jesus, e por isso, é o Messias. Daí, a frase com suas variantes que é dezesseis vezes recorrente: “Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta...” Deste modo, o nascimento e o nome de Jesus são cumprimento de profecias (1.21-23); a fuga para o Egito também (2.14,15); a matança dos inocentes (2.16-18); o regresso e a fixação de José, bem como a infância de Jesus em Nazaré (2.13); o uso de parábolas (13.34,35); a traição por trinta moedas de prata (27.9); o sorteio da roupa do Mestre enquanto preso à cruz (27.35).

Somente quem conhece a riqueza do pensamento rabínico galileu, ambiente de Jesus, pode acompanhar e compreender plenamente os seus sermões e dar plena força às suas próprias palavras e expressões. Schlesinger afirma que para Jesus, seus ensinamentos não pressupõem o abandono da religião judaica.

O Evangelho de Mateus é, portanto, o que mais se aproxima do pensamento judaico, e aquele no qual a hostilidade contra os judeus é menos acentuada, e sua principal característica é mostrar como Jesus realiza as obras divinas. Que a missão de Jesus é dirigida primordialmente aos b'nei Israel (filhos de Israel), não há dúvida. É bastante ler os versos 10.5,6; 15.24 (cf. Jo 1.11).

O atual Evangelho de Mateus manifesta pelo estilo, forma, fraseologia e expressões, o método de discussão de caráter semita. A intenção do autor é introduzir a mensagem do Malkut (reino) nos quadros da religião judaica. Multiplica as citações do Tanach (Antigo Testamento) para mostrar a sua realização na vida de Jesus.

Para Jesus, a importância da Torah é sintetizada na fórmula "Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para cumpri-los" (5.17). E quando denuncia a hipocrisia dos sopherim e dos perushim, mesmo assim assume o ensino deles.

Jesus no Monte parece refletir a tipologia de Moisés. Relembra, pelo cenário e conteúdo de sua prédica, o grande mediador da lei de Deus no judaísmo, A seriação de dez milagres operados por Jesus lembra as dez pragas do Egito. A "nuvem luminosa" que envolve Jesus transfigurado, no episódio do Monte Tabor, em que são mencionados também Elias e Moisés, reassume com destaque a conceituação judaica da Shekinah, que é a presença divina no povo de Israel.

A época da redação do Evangelho de Mateus era dura para os cristãos. Os judeus mostravam-lhes uma hostilidade acentuada, quase do mesmo modo que os romanos. Para alguém tão versado na tradição judaica como Mateus, é evidente que, para contar a história do Messias, a primeira tarefa a empreender é demonstrar que é o Messias. E para isso, deve provar em primeiro lugar que o Messias pertence à linhagem de Davi. Conseqüentemente, Mateus começa por apresentar uma genealogia (1.1- 17). Registramos abaixo um paralelo entre fatos, eventos e palavras do Evangelho de Mateus com sua correspondência no Antigo Testamento.

Mt 1.22,23

Is 7.14

Mt 2.2

Nm 24.17; Is 60.3

Mt 2.5,6

Mq 1.33; 5.2; Sm 5.2

Mt 2.16-18

Jr 1.24; Gn 35.19; Ex 15,16

Mt 2.13-15

Os 11.1

Mt 2.19,20

Ex 4.19

Mt 2.22,23

não se sabe onde, pois não há no Antigo Testamento qualquer referência ao Messias como nazareno. É possível que Mateus tenha feito um jogo de palavras com nazireu (= Jz 13.5), ou de Is 11.1 ou Zc 6.12, "Renovo", em hebraico netzer. O jogo é "nazareno"" com "nazireu" ou "nazareno" com "netzer"

Mt 3.11,12

Ez 36.24-26; 2Rs 5.10

Mt 3.3

Is 40.3

Mt 3.4 4.4

2Rs 1.8; 1Rs 17.6;

Ml 4.5

Dt 8.3

Mt 4.6

Sl 91, 11, 12

Mt 4.7

Dt 6.16

Mt 4.10

Dt 6.13,14;

Mt 4.14-16

Is 9.1,2;

Mt 5.4

Sl 37.11

Mt 8.17

Is 53.4

Mt 9.12,13

Os 6.6

Mt 21.1

Zc 14.4

Mt 21.12,13

Jr 7.1,11

Mt 24.31?

Dn 7.13,14

Mt 26.15

Zc 11.12

Mt 27.7-10

Zc 11.13

Mt 27.24

Dt 21.6,7

Mt 27.34

Sl 69.22

Mt 27.46

Sl 22.2, 17-19

Há em Mateus um interesse apocalíptico particularmente forte. É basicamente encontrado nos capítulos 24 e 25.

E, ainda, a controvérsia sobre o Shabbath (Repouso) (Mt 12.11-14) como cumprimento de Isaías 42.1-4.

Sua Elaboração Sistemática. Seu objetivo é facilitar o entendimento e a memoralização de seus ensinos e para isto procura organizar seu material de forma didática. Um exemplo disto é sua utilização de dois números significativos para o judeu: o 3 e o 7. Exemplos desta sistematização são:

José recebe três mensagens;

Pedro nega a Jesus três vezes;

Pilatos faz três perguntas;

No capítulo 13, há sete parábolas do reino;

As bem aventuranças são em numero de sete

No capítulo 23, há 7 "ais" pronunciados acerca dos escribas e fariseus;

Há sete petições na Oração Dominical (em Lucas são cinco)

O perdão deve ser oferecido sententa vezes sete.

Um outro excelente exemplo desta sistematização esta no arranjo da genealogia de Jesus. Mateus quer demonstrar que Jesus é da linhagem de Davi. Como em hebraico não há numerais, usam-se as consoantes do alfabeto que possuem, portanto, valor numérico. Por exemplo, David, trás três consoantes ou seja, D V D cuja soma dá 14. A genealogia de Jesus em Mateus consiste em 3 grupos de 14 nomes. Tudo feito para que o leitor judeu perceba a messianidade de Cristo embutida nas palavras, números e valores.

Mateus distribui seu material em cinco grandes discursos (sermões) tendo como fio conduitor o conceito de “Reino de Deus” ou “Reino dos Céus” que são:

Legislação do Reino (capítulos 5-7)

Atividade Missionária do Reino (capitulo 10)

Ilustrações do Reino (capitulo 13)

A Ética do Reino (capitulo 18)

Aspectos Escatológicos do Reino (capitulos 24-25)

(continua com Temas Principais)

Rev. Ivan Pereira Guedes



Material utilizado em aulas ministradas no Instituto Bíblico Presbiteriano-Rev. João Silva (SP) e na Faculdade de Teologia Integral da America Latina (FLAN) em Arujá-SP.


Hayes diz que o Evangelho de Mateus é “quase um manual de profecias messiânicas”. Hayes, D. A. The Synoptic Gospels and the Book of Acts (Nova Iorque: Methodist Book Concern, 1919, p.90.

Papias (século II)  já observava que a questão cronológica em Mateus é um aspecto secundário. Ele não hesita em agrupar, em blocos artisticamente arquitetados, acontecimentos ou sermões de Jesus que, segundo a ordem histórica, deveriam estar muito distantes uns dos outros, mas que, reunidos, melhor ajudam o leitor a tirar uma conclusão doutrinária e/ou facilitar sua memorização.

Cada uma destas seções termina com a mesma expressão: “E aconteceu que, quando Jesus terminou essas palavras ...” e na última seção lê-se: “... quando Jesus terminou todas essas palavras...”. Alguns entendem que Mateus faz alusão aos cinco livros da Torá mosaica, a fim de incutir que Cristo é a plenitude desta Lei.

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