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Livros Poéticos e Sabedoria - Tempo da Escrita  (AT Salmos) escrito em segunda 16 janeiro 2012 16:25

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, Livros Poéticos e Sabedoria - Tempo da Escrita

Quando os salmos foram escritos? Esta questão tem sido amplamente debatida nos meios acadêmicos. [1]

O Cânon dos livros do AT fechou-se com o ministério de Malaquias, o último dos profetas. O Talmud[2] observa: “Depois dos profetas posteriores Ageu, Zacarias, e Malaquias, foi que o Espírito Santo partiu de Israel”. Conseqüentemente qualquer livro que foi escrito depois das 400 a.C. não pode ser considerado como parte do Cânon do AT. Deste modo, todos os livros Apócrifos que foram escritos depois de 400 a.C. não foram incorporados no Cânon. 

Porém, os críticos modernos designaram datas mais recentes para todos os livros Poéticos do VT, fazendo a suposição de que o Cânon dos livros da terceira divisão (os Escritos) só foram consolidados no Conselho de Jânia (Jabne)[3] em 90 d.C. Qualquer livro achado nesta divisão, dizem eles, não foram escritos e incorporados antes de 200 a.C. Seus argumentos são: 

(a) O livro de Jó é indicado como tendo sido escrito sua maior parte, provavelmente ao redor de 605-580 a.C. e a sua forma final apenas em aproximadamente 200 a.C. É reivindicado que a alta freqüência de palavras emprestadas do aramaico e o nível alto de puro monoteísmo refletido no livro indicam uma data de composição pós-exílica. 

(b) Um grande número dos Salmos é colocado pêlos críticos liberais, dentro do período pós-exílico (depois de 536 a.C.) e até mesmo durante o período dos Macabeus (entre 200 - 165 a.C.).[4] É reivindicada que a presença de aramaísmo em alguns salmos é evidência de uma data recente. 

(c) de acordo com Eissfeldt o livro de Provérbios reflete uma forte influência grega e deste modo, não poderia ter surgido antes do 4º século a.C.[5] 

(d) Muitos acreditam que o livro de Eclesiastes foi escrito aproximadamente em 200 a.C., uma vez que deduzem sinais inconfundíveis de influência grega e semelhança com o Mishná.[6] Outros preferem coloca-lo tão tarde quanto 100 a.C. e Graetz[7]  considera o livro como pertencendo ao tempo de Herodes, o  Grande. 

(e) É discutido que Cantares, como temos, tem que vir do 3º século a.C. por causa da presença de certas palavras de empréstimo. 

(f) Os Críticos apóiam (d) e (e) citando certas referências dentro do Talmud sobre as questões levantadas no Conselho de Jânia relativo a canonicidade de Ester, Eclesiastes  e Cantares.

Em resposta a toda esta pesada argumentação é preciso declarar que: 

(a) Os argumentos lingüísticos para recentes datas dos livros poéticos demonstram serem limitados em seus efeitos. 

(i) A presença de aramaísmo não significa uma composição tardia. Aramaico mais antigo é encontrado em inscrições do primeiro milênio a.C., e já estava em uso nos contatos comerciais dos povos sírios (cf.  Gen 31:47). 

(ii) O comércio extenso que Israel desfrutara durante o tempo de Salomão, explica a inclusão de termos persas e palavras emprestadas do grego nos livros Poéticos. 

(b) As teorias dos críticos modernos (como lançar Salmos no período dos Macabeus e enfatizar a influência grega) demonstram-se realmente subjetivo e extravagante (como tão bem coloca Young em seu comentário).[8] 

(c) Fragmentos de todos os livros Poéticos foram achados entre os chamados Rolos do Mar Morto que são datados aos 1º  e 2º séculos a.C.

(i) Isto indica que estes livros foram escritos antes de 200 a.C.

(ii) Os Rolos do Mar Morto também revelam que não havia nenhuma diferença relevante na organização dos livros e suas divisões no Cânon do Antigo Testamento.

 

Rev. Ivan Pereira Guedes

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Salmos - http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r85843/AT-Salmos/

Cânon - http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r72867/AT-Canon/

 

 



[1] Este assunto é exaurido no amplo trabalho de Harris, da qual fazemos apenas uma adaptação sucinta: HARRIS, R. Laird. Inspiration and Canonicity of The Bible, ed. Zondervan Publishing House, Michigan, , 1969.

[2] É o “corpus Juris”, o código básico da lei civil e canônica do judaísmo pós-biblico. A palavra Talmud é derivação da raiz hebraica Lamod (estudo), e uma abreviatura de Talmud Torá (estudo da Torá).

[3] “Havia uma escola rabínica em Jabne (cidade próxima à costa mediterrânea ocidental, um pouco ao norte de Jerusalém) que assumiu os poderes legislativos do Sinédrio após a queda de Jerusalém em 70 d.C.” LASOR, William S. Introdução ao Antigo Testamento, ed. Vida Nova, São Paulo, 1999, p.653.

[4] Em consideração aos Salmos Wellhausen diz: "Desde que o Saltério é o livro de hinos da congregação do Segundo Templo, a pergunta não é se há ou contém qualquer salmo pos-exilico, mas se existe ou contém qualquer salmo pre-exilico" (Bleek's "Introduction", ed. 1876, p. 507). Hitzig ("Begriff der Kritik", 1831) avalia que os Livros III-V estão inteiramente no período dos Macabeus (168-135 a.C.). Olshausen ("Die Psalmen", 1853) coloca muitos dos salmos no período da dinastia Hasmonean, no reinado de John Hyrcanus I (Sumo Sacerdote e governante da nação Judaica de 135/134 até 104 a.C. Sob seu reinado, a dinastia Hasmonean da Judéia, na Palestina antiga, atingiu poder e grande prosperidade, e os Fariseus ganharam apoio popular, e os Saduceus, uma seita aristocrática e sacerdotal, definiu com clareza as Festas religiosas). Duhm ("Die Psalmen", 1899, p. xxi-xxiii) admite muitos poucos salmos pre-macabeus e consigna os Salmos ii, xx, xxi, lxi, lxiii, lxxii, lxxxiv (e ) cxxxii [ii, xix, lx, lxii, lxxi, lxxxiii (e) cxxxi] aos reinados de Aristobulus I (105-104 a.C.) e seu irmão Alexander Jannaus (104-79 a.C.); de modo que o Cânon do Saltério não foi fechado até 70 a.C. Entretanto, os argumentos apresentados por todos eles é em sua maioria muito frágeis.

[5] EISSFELDT, Otto. The Old Testament: An Introduction. Trans. P.R. Ackroyd. London: Harper & Row, 1965. Pbk. pp.861.

[6] Mishná deriva do verbo “shano” (estudar), e ao mesmo tempo do número “shnaim” (dois). Como parte constitutiva do Talmud, a Mishná é o conjunto das decisões, doutrinas e leis religiosas que têm como base a Torá e que, por sua vez, serve como base para a Guemara. Assim como a Bíblia é o objeto da Mishná, essa é o objeto para a interpretação talmúdica, a Guemara. Abrange um período de quase 400 anos.

[7] GRAETZ, Heinrich, um historiador judeu adiante dos tempos modernos, nasceu em Posen em 1817 e morreu em Munique em 1891. Graetz atingiu reputação considerável como crítico bíblico. Ele foi autor de muitas conjecturas corajosas sobre a data de Rute, Eclesiastes, Ester e outros livros bíblicos. A edição crítica dele dos Salmos (1882—1883) foi a contribuição principal dele à exegese bíblica.

[8] YOUNG, E. J., Introduction to The Old Testament, ed. Eerdmans Publiching Company, Michigan, 1964.

 

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ÊXODO - Introdução  (AT - Êxodo) escrito em segunda 09 janeiro 2012 20:05

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, ÊXODO - Introdução
O segundo livro da nossa Bíblia denomina-se "Êxodo" e vincula-se diretamente com seu antecessor. Gênesis conclui com a família de Jacó habitando "temporariamente" no Egito, pois sabemos que a Aliança que que Deus havia estabelecido com Abraão incluia a posse de uma outra terra - Canaã.
Entre a última página de Gênesis e a primeira págia de Êxodo temo um período de mais de 400 anos. Muita coisa havia mudado no relacionamento dos egipcios e os israelitas. Se nos dias de José o relacionamento era amigável e de liberdade, agora o relacionamento é de violência e escravidão. Em determinado momento Faraó começou a ver nos israelitas um perigo crescente e a partir de então começa a oprimir cada vez mais violentamente na tentativa de intimidá-los.
Além desta ótica humana de Faraó é preciso olharmos os acontecimentos narrados pela ótica de Deus. Após tantos séculos esta geração de israelitas haviam se esquecido da Aliança abraamica e se ajustado confortavelmente em seu espaço egipcio. A mudança de tratamento por parte do Faró portanto esta subordinado à providência de Deus para "despertar" a memória dos israelitas e "motivá-los" a desejarem sairem do Egito e caminharem em direção à terra de Canaã que sempre foi o propósito original de Deus para eles.
Inicialmente veremos algumas informações básicas relacionadas a este livro e posteriormente iremos explorando as insondáveis riquezas da revelação de Deus encrustrada em suas narrativas.

Autor: De acordo com a tradição judaico-cristã, Moisés escreveu Êxodo sob a ordem de Deus em associação com a experiência de aliança de Israel com Yahweh no Sinai (cf. 17.14; 24.4; 34.27) [1]  

Data: O livro abrange um período relativamente pequeno de tempo, 85 anos, aproximadamente. Todavia, há uma ampla discussão sobre em que época o êxodo ocorreu e dentro do nosso limitado espaço citamos apenas as duas propostas mais coerentes e defendidas pelos estudiosos: [2]

a) A data mais antiga [1446-1437]: Com base nos reinados dos faraós Tutmósis III (1504-1450) como sendo o responsável pelo período de forte opressão sobre os israelitas e Amenófis II (1450-1425) em cujo reinado Moisés lidera a saída deles do Egito. Idade de Bronze Tardio da história do Antigo Oriente Médio.

b) A data mais recente [1350-1225]: Entendem que o período de opressão ocorre durante os reinados de Ramessés I (1320-1318) e Seti I (1318-1304) e a saída liderada por Moisés ocorre durante o reinado de Ramessés II (1304-1237). Transisção entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro Antigo no Antigo Oriente Médio.

Nome do livro: “Êxodo” é uma forma latina derivada do êxodo grego, o nome dado ao livro pelos tradutores da Septuaginta (LXX). [3]   A palavra significa “saída”, “partida”.  E este nome foi dado porque o livro narra o grande evento da história de Israel: a saída do povo de Deus do Egito.

Tema: Vários temas prevalecem em Êxodo: 1) redenção como se vê na Páscoa, e 2)libertação da escravidão do Egito como se vê no êxodo da saída do Egito e a passagem do Mar Vermelho; 3) A instituição de Israel como posse especial de Deus entre os povos.

Propósito: Temos um propósito histórico que visa preservar os acontecimentos que explicam a evolução dos israelitas de escravos do Egito e sua libertação e presença no deserto do Sinai. Também haverá de fazer um link entre as histórias patriarcais (Gênesis) e a história posterior quando de seu estabelecimento em Canaã.

Há também um propósito teológico muito importante que é a auto-revelação de Deus ao seu povo. Deus não apenas os liberta da opressão egípcias, mas revela-se de forma pessoal – o nome Yahweh.

Podemos ver também um propósito didático ou pedagógico do livro pois nele temos o ensino que devem orientar o relacionamento de Yahweh com seu povo Israel. É nos termos de obediência ou desobediência da Aliança estabelecidas no Monte Sinai, é que a nação israelita cumprira seu destino entre todas as demais nações (19.5,6).

Palavra Chave: “redimir” “resgatar” usadas nove vezes (6:6; 13:13; 15:13;  21:8; 34:20).

Capítulos Chaves: Os capítulos 12-14 registram a redenção de Israel da escravidão, como realização das promessas de Deus; libertos da escravidão através do sangue (o cordeiro da Páscoa) e pelo poder de Deus (a divisão do Mar Vermelho).

 Versículos Chaves: 6:6 “Então dizei aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirei de debaixo das cargas dos egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com grande julgamento”, (veja também 20:2).  19:5-6 “Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos,  porque toda a terra é minha; e vós sereis um reino sacerdotal e o povo santo.  Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.”

Personagens Importantes: Moisés., Arão, Miriã, Faraó.

Rev. Ivan Pereira Guedes



[1] Veja ampla exposição de autoria do Pentateuco em: http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/1418737/PENTATEUCO-Autoria/

[2] Você encontrara os argumentos destas duas posições em forma bem didática em Panorama do Antigo Testamento, Andrew E. Hill & J. H. Walton, ed. Vida, 2006, pp. 95-96

[3] Na Bíblica Hebraica o livro é denominado de “שמות” que se pronuncia “shemót” e significa “nomes”, que são as palavras iniciais do livro: "E este são os nomes.." 

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Os Livros Poéticos e de Sabedoria e a Literatura Oriental Antiga  (AT Salmos) escrito em sexta 06 janeiro 2012 12:59

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, Os Livros Poéticos e de Sabedoria e a Literatura Oriental Antiga

Os livros Poéticos e de Sabedoria foram escritos nos moldes literários e formas que geralmente eram usados em trabalhos literários dos povos e culturas antigas tais como Mesopotâmia, Egito, Babilônia. Por causa disto, acreditam os críticos modernos que os nossos livros consistem em trabalhos emprestado ou adaptado da literatura existente destas outras culturas Orientais.

Todavia, ainda que uma chave para identificar e classificar os nossos livros Poéticos e de Sabedoria possa ser o estudo da literatura existente nestas culturas Orientais próximas, basta tão somente uma comparação mais perspicaz nos conteúdos destes trabalhos literários para se concluir uma clara e distintiva autonomia e autenticidade dos escritos bíblicos, conforme vemos abaixo na adaptação das excelentes considerações do Dr. Thomas:[1]

a)      O politeísmo das culturas Orientais Antigas nunca permitiu o alto nível conceitual-teológico expresso na poesia e literatura sapiencial bíblica. Nenhuma outra literatura subiu ao nível de uniformidade de fé e profundeza de pensamento que encontramos na poesia bíblica. Embora a poesia bíblica contenha uma diversidade vital, o seu monoteísmo penetra e permeia todos os seus conceitos e padrões morais básicos.

b)      As pressuposições e conclusões teológicas da poesia bíblica são muito diferentes e distintas da poesia e outras literaturas daqueles povos.

c)      A sabedoria contida nos livros bíblicos supera em muito a sabedoria encontrada em outras literaturas próximas. De acordo com 1 Reis 4:30-31, “Era a sabedoria de Salomão maior do que a de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. Era mais sábio do que todos os homens, mais sábio do que Etã, ezraíta, e do que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol; e correu a sua fama por todas as nações em redor”.

Deste modo, devemos concluir que há muito pouco valor em estudar outra literatura para nos ajudar a entender os nossos livros Poéticos. Como os livros do Antigo Testamento são divinamente revelados, nosso ponto de partida e de chegada deve ser a Palavra Revelada de Deus somente.

Canonicidade dos Livros Poéticos e de Sabedoria

            Evidentemente que a literatura poética e de sabedoria judaica não se restringe apenas ao que foi inserido e preservado no Cânon. O que temos é apenas um pequeno estrato de uma profícua e vasta literatura desenvolvida ao longo dos séculos. Assim, temos que ao menos fazermos referência ao critérios usados para seleção e incorporação destes nossos livros no Cânon Hebraico:

 

a) Critério de Inspiração

1) Davi que escreveu um número grande dos salmos testemunhou que ele escrveu por inspiração de Deus, “São estas as últimas palavras de Davi: Palavra de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do maravilhoso salmista de Israel”. O Espírito do SENHOR fala por meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua”. (2 Samuel 23:1,2).

(a) Isto é confirmado pelo NT em passagens onde é declarado que o Espírito Santo tem falado por meio de Davi (Marcos 12:36; Atos  1:16; 4:24,25; Hebreus 4:7). 

(b) também é confirmado pelo NT em passagens onde Davi é chamado de profeta (Mateus 27:35, cf. Salmo 22:18; Atos 2:29,30, cf. Salmo 16:10) 

(2) Salomão que é a autoridade atrás dos livros de Provérbios, Cantares e provavelmente de Eclesiastes, era outro escritor que foi inspirado pelo Espírito Santo. 

(a) Embora Salomão não seja chamado de profeta, há evidência de que ele tinha um dom. Deus lhe apareceu e falou em visão pelo menos duas vezes (1 Reis 3:5;  9:2; 11:9,11; cf. Num 12:6). 

(b) há uma história judia apócrifa que imagina Salomão escreveu Cantares com o entusiasmo da mocidade, Provérbios com a perspicácia da maturidade e Eclesiastes com a desilusão da velhice! 

(3) Asafe que escreveu para uma dúzia de salmos é chamado de vidente em 2 Crônicas 29:30, e um profeta em Mateus 13:35 (cf. Salmo 78:2). 

 

Rev. Ivan Pereira Guedes



[1] CONSTABLE, Thomas L. Expository Notes on the Bible, edição eletrônica www.soniclight.com/constable/notes.htm. 

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REFLEXÃO - JESUS BÍBLICO X JESUS GNÓSTICO  (Reflexão) escrito em sexta 16 dezembro 2011 23:05

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, REFLEXÃO - JESUS BÍBLICO X JESUS GNÓSTICO

Nunca se falou ou discutiu tanto a respeito de Jesus como nestes últimos anos.  As mais diversas opiniões têm sido dadas com respeito à sua vida. Não faltam aqueles que abertamente negam a sua existência histórica, mas quanto a estes não temos com que nos preocupar.

A preocupação esta naqueles que admitem sua existência e até mesmo exaltam suas qualidades – mas não se referem ao Jesus que emana dos textos evangélicos da bíblia – e sim a um Jesus que é extraído de centenas de textos fecundamente produzidos nos séculos II em diante, totalmente influenciado pelos conceitos gnósticos.[1]

Atuais Best Sellers que ultrapassaram a tiragem de mais de 1 milhão de exemplares como “Código Da Vinci[2] são  sub produtos da cultura pós-moderna, que pretensiosamente afirmam estarem desvendando os mistérios e revelando o verdadeiro Jesus escondido pelos evangelistas bíblicos e posteriormente pela igreja cristã.

Pior do que as peças de ficção como o acima mencionado, é a literatura produzida por pseudos cristãos amargurados e frustrados como o livro “O Que Jesus disse? O que Jesus não disse?” de Bart Ehrman. Apesar de se identificar como sendo de origem evangélica tradicional, este autor esforça-se por todos os meios para revestir seu livro de uma veracidade que não resiste de forma alguma aos critérios básicos de uma exegese saudável e honesta.

Tanto Bart quanto Brown e seus companheiros e discípulos nada estão trazendo de novo sobre Jesus. Suas fontes de informação é uma vasta literatura que proliferou abundantemente nos primeiros séculos e que “hoje” estão sendo "descobertos" por estes escritores que utilizando-se de forma criativa tem produzido suas histórias Hollywoodianas.

Desde o principio a questão de “quem era Jesus” permeou a mente e o coração das pessoas. Os três primeiros evangelistas registram um destes momentos (Mt 16; Mc 8; Lc 9). As duas perguntas básicas são: “Quem os outros dizem que eu (Jesus) sou?” e “Quem vocês dizem que eu sou?”. As respostas continuam sendo o divisor de águas entre os que crêem e aqueles que não crêem.

Para aqueles que não aceitam que Jesus é o único meio pelo qual o ser humano pode ser salvo, a resposta à pergunta acima não faz a mínima diferença.  Os escritores acima e milhares de outros estudiosos religiosos não acreditam que Jesus seja o salvador de alguém. No máximo foi um grande homem, um grande mestre, alguém que estava disposto a dar sua vida em favor do próximo numa busca utópica de uma sociedade mais justa e amorosa e pagou um alto preço - morrendo como um  martír.

O Jesus que está registrado nos evangelhos bíblicos é amplamente rejeitado por eles pela simples razão de que reivindica a Divindade e se coloca como o único caminho de se ir a Deus e a única possibilidade de alguém alcançar a salvação eterna. Para estas pessoas e seus aficionados leitores tais reivindicações do Jesus bíblico são inadmissíveis. Suas mentes pós-modernistas não aceitam qualquer afirmação absoluta e inquestionável. Para tais pessoas a “” é um subproduto de suas próprias mentes e conjecturas, que pode ser facilmente mutável ao sabor das últimas novidades.

Quero concluir colocando outra questão, que creio ser fundamental nesta questão sobre a pessoa de Jesus: “Por que as pessoas ainda se fascinam por Jesus?" Já se passaram mais de dois mil anos. A ciência se multiplicou de forma assombrosa. A tecnologia estende seu domínio violentamente sobre cada pessoa deste mundo. Milhares de personagens surgiram, brilharam, e desapareceram. Mas Jesus continua sendo estudado, falado, comentado, desacreditado e o mais importante – CRIDO. Mudou e continua mudando a história de pessoas em todo o mundo, onde quer que o Evangelho chegue. A única resposta é porque Jesus é o que os evangelistas e toda a Bíblica diz que ele é – o Filho de Deus e o Salvador de todo aquele que crê.

Você e eu temos que escolher em qual Jesus vai acreditar: no Jesus gnóstico dos escritores atuais ou no Jesus bíblico? O primeiro não pode salvar ninguém, pois não passa de uma ficção; o segundo afirma ser o Deus que Salva todo aquele que nele crê.

É Natal – em que Jesus você crê?



[2] O autor Dan Brown afirma por exemplo que Jesus foi casado e que a idéia de sua divindade foi artificialmente construída pelo Imperador Constantino em 325 d.C. para legitimar o cristianismo tornando-o a religião oficial.                            Entretanto, quando o livro e suas pseudas informações são examinadas pelo prisma da veracidade histórica e textual, sua “história” torna-se uma mera peça de ficção literária.

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NATAL SEGUNDO MATEUS – A Cidade de Belém  (Natal) escrito em sexta 16 dezembro 2011 13:36

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, NATAL SEGUNDO MATEUS – A Cidade de Belém
Uma cidade pode ser descrita e dimensionada tanto pela sua extensão e população, quanto pelos acontecimentos históricos que nela se desenvolveram.                                               
O Egelista Mateus faz uma citação do profeta Miquéias, mas altera a referência de sua dimensão: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá;” (2.6a), mas quando vamos para as palavras do profeta temos: “E tu, Belém-Efratapequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá,” (5.1a). Será que Mateus não conhecia a dimensão da cidade de Belém? Claro que conhecia! O que acontece é que de fato a cidade de Belém nos dias do profeta Miquéias era uma das menores, provavelmente não passasse de mil habitantes, mas o que o evangelista quer enfatizar é que pelo fato desta pequena cidade se constituir no cenário do nascimento de Jesus, ela torna-se infinitamente maior do que suas pequenas dimensões poderiam lhe proporcionar.

Belém a Cidade Fecunda

A história bíblica relaciona a cidade de Belém com nascimentos. É aqui que Raquel, esposa amada de Jacó (cf. Gn 29.15-30). Ela eraestéril, mas Deus lhe capacita a gerar filhos, sendo o primeiroJosé (cf. Gn 30.22-24; 37-50). Alguns anos depois, enquanto estavam a caminho de Betel (Éfrata-Belém[1]), Raquel veio a falecer ao dar à luz a Benjamim, seu segundo filho. Aqui ela foi sepultada e Jacó manda que seja feito uma estela (Gn 35.16-20) para que tanto o seu amor como a memória de Raquel ficassem perpetuada.

Outra história bíblica, envolvendo nascimento, também tem esta cidade como cenário. É para Belém que Rute vem acompanhando sua sogra Noemi, agora viúva e sem filhos. É aqui que Rute conhece aBoaz, que como parente próximo haverá de resgatar as dívidas de Noemi e restaura-lhe suas possessões. É aqui que Rute, casando-se com Boaz, gera um filho “Obed, pai de Jessé. E Jessé foi pai deDavi” (cf. Rt 4.17-22).

As palavras de Virgílio são precisas, se referindo à cidade de Belém: “omnia vincit amor” – segundo ele: “o amor vence tudo”. O amor profundo de Jacó por Raquel possibilitou o milagre da gestação por parte daquela que era estéril. O amor de Rute por Noemi derruba os muros da hostilidade e da segregação racial e faz eclodir esperanças inesperáveis.Quando nos deixamos vencer pelo amor, as derrotas por ele impostas são nossas vitórias mais importantes e duradouras. O amor é a maior verdade da vida – “Deus é amor”.

Belém a Cidade de Davi

A história de Davi esta vinculada diretamente à cidade de Belém (cf. Jz 17.7-9; 18.30). É aqui que Deus vai ungir Davi como o novo rei de Israel.

O primeiro rei foi Saul, porém, por sua continua desobediência Deus toma a decisão de destituí-lo e colocar outro em seu lugar (cf. 1Sm 15.10; 13.14). Diante das ordens de Deus (1Sm 16.1)Samuel vai a Belém (1Sm 16.4) e após entrevistar cada um dos filhos de Jessé, acaba por identificar o mais jovem de todos – o pequeno Davi – como aquele que Deus faria reinar no lugar de Saul – “Porque é esse” (!Sm16.12).

Deus nunca olha como nós olhamos. O que Deus sempre olha é o coração. Ainda que Ele saiba que o coração humano é um poço de incoerências, continua a manifestar sua inexplicável graça. Para que ninguém possa pensar que será usado por seus próprios méritos, Deus “escolhe os que não são para confundir as que são”. Tudo vem da graça.

É em Belém, onde Davi é escolhido e ungido rei (!Sm 16.12-13), que se inicia a linhagem davídico-messiânica que vai ser concluída no nascimento de Jesus. Na narrativa de Mateus, o anjo chama José de “filho de Davi”, fazendo uma ligação direta entre José e a descendência davídica, e inserindo Jesus nela também. A promessa de Deus, através de Natã, é que Davi seria grande e seu trono seria estabelecido para sempre (cf 2Sm7.11, 13, 16).

Nenhum morador de Belém, nem José, um humilde carpinteiro, pobre, destituído de qualquer prestígio, nem Maria, tão jovem e inexperiente, poderiam imaginar que em seus braços estava aquele que definitivamente herdaria o trono de Davi e instituiria um Reino eterno. É na pequena Belém, da descendência do inexpressivo José e da jovem Maria que Deus trará ao palco da História o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 17.14; 19.16).

Por tudo isso, Belém é a menor entre as cidades de Judá (Israel), mas torna-se o Maior e mais Extraordinário palco da manifestação do Poder de Deus – pois nela nasceu Jesus o Salvador!

Rev. Ivan Pereira Guedes


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Belém - http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/234334/A-CIDADE-DE-BELEM/

Natal - http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r57636/Natal/

Mateus -http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/r43404/Evangelho-Mateus/

 


[1] Éfrata – é um termo amplo. Pode estar ligado ao fundador da cidade ( cf. 1 Cr 4.4), mas também ao de seu construtor ou ao primogênito da família que ali primeiro habitou. É também o nome da região em que a cidade de Belém estava localizada. Éfrata tem um significado perfeito para os acontecimentos bíblicos relatados – “aquela que é fecunda”.

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