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EVANGELHO MARCOS - O Batismo de Jesus  (Evangelho Marcos) escrito em sábado 19 maio 2012 15:41

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, EVANGELHO MARCOS - O  Batismo de Jesus

Introdução e Análise

CAPÍTULO 1.9-11

Após apresentar João Batista, como o precursor do Messias, criando todo um clima de expectativa, finalmente o evangelista introduz a pessoa de Jesus. A expressão utilizada para trazer Jesus à narrativa é a mesma utilizada pelos escritos proféticos do AT “Naqueles dias” (cf. Ex 2.11; 2Rs 18.1)

Jesus vem da região da Galiléia, menosprezada e espoliada tanto religiosamente quanto economicamente pelas lideranças instaladas na Judéia e mais particularmente na capital Jerusalém e no Templo. Mas ainda, Jesus vem da quase insignificante Nazaré, que nem ao menos é mencionada nos escritos do AT (cf. Jo 7.41-52).

Ser da região da Galiléia era receber de pronto um voto de desconfiança. Por sofrerem toda sorte de exploração, quer pelos patrícios do sul, quer pelos estrangeiros, os moradores da Galiléia eram um barril de pólvora permanente. Toda sorte de revolta, incluindo os Macabeus, já tivera sua origem nesta região, pois era uma das mais férteis e ricas, por isso mesmo permanente objeto de desejo dos ricos e poderosos. Herodes já tinha investido com violência sobre os galileus, por conta da revolta ocorrida no período do recenseamento (cf Lc 2.1-3). Jesus inicia seus primeiros passos acercados de toda esta atmosfera de desconfiaça – “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (cf. Jo 1.43).

Como tantos outros judeus, Jesus entra nas águas do rio Jordão e se deixa batizar por João Batista. Aqui mais uma vez vemos a total identificação de Jesus com a nossa humanidade, contudo com uma distinta e contundente diferença, não há necessidade dele confessar qualquer pecado que seja. Sua solidariedade demonstra toda Sua disposição em mudar radicalmente a sorte da humanidade, pois Ele vem para romper as barreiras de separação, erradicar o mal e a morte que por causa do pecado aterroriza a raça humana desde a queda (cf. 2.7; Is 53.12; Hb 2.18; 4.15).

Tudo isto fica evidenciado nos acontecimentos que ocorrem enquanto Jesus é batizado. De repente os céus se abrem e uma voz é ouvida; e desce sobre Ele o Espírito Santo. Mais uma vez Deus vem tabernacular com seu povo, Jesus trás a presença de Deus junto à humanidade e proporciona a capacitação para que o ser humano possa permanecer na presença Dele sem ser consumido. Jesus é inicio da Nova Criação, do qual todos aqueles que Nele crerem irão fazer parte (cf. 1 Co 5.17; 2 Pe 3.13; Ap 21.1).

O pano de fundo veterotestamentario é a mensagem de Isaías (63.7-19). Jesus é o novo Moisés, que conduzirá o Seu povo pelo deserto (mundo) em direção à Terra Prometida, a Nova e definitiva Canaã eterna. Inaugura-se o novo tempo, e os céus se abrem definitivamente e já não podem mais ser fechados (cf. Jo 1.51; At 7.51; Ap 19.1; 4.1-2; 11.19), os céus baixam até nós (cf. At 1.9-11).

A pomba tem uma significação ampla nas Escrituras: ela sobrevoa as águas do dilúvio (manifestação do juízo de Deus) para anunciar o ressurgimento da vida (manifestação da graça Divina), onde Noé emerge como um novo Adão, um recomeço (cf. Gn 8.8-12); os profetas utilizam a pomba para identificar o povo de Israel (cf. Os 11.11; Is 60.8; Sl 68.14); também era símbolo da presença de Deus no Tabernáculo e animal escolhido para o sacrifício (cf. Lv 5.7; 12.8; Lc 2.24).

A expressão “Tu és o meu Filho” (cf. Sl 2.7), permeia toda a narrativa deste evangelho (cf 1.1; 8.29; 10.47-48; 11.10; 12.35-37; 14.61-62) e encontra ressonância na narrativa de Lucas (3.22). Ainda que a expressão possa incluir todo o povo, o rei, e os crentes do AT, a condição de “Filho” de Jesus é única (cf. Jo 1.18; Gl 4.4-7; Rm 1.1-4; Hb 1.1-4).

A voz advinda do céu suplanta e cala a voz de João, demarcando o inicio da missão profética de Jesus. Ele é o Ungido de Deus, o seu Filho amado, realização plena de toda profecia messiânica, o Servo sofredor que se tornará o Vitorioso. Nele e por meio Dele, Deus inicia a Nova Criação que será eterna e definitiva.

Rev. Ivan Pereira Guedes

 

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APOCALIPSE - Comentário (1.1-3)  (Apocalipse) escrito em segunda 23 abril 2012 23:54

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, APOCALIPSE - Comentário (1.1-3)

APOCALIPSE: Comentário


Cap. 1: Revelação de Jesus Cristo

            Antes de qualquer outra coisa é preciso corrigir um grave erro no que concerne ao estudo deste precioso último livro bíblico. O assunto central do Apocalipse, bem como de toda a bíblia, é Jesus Cristo. Parece óbvio, todavia nestes últimos dias, e creio que em outras épocas também, estuda-se a Bíblia pela ótica antropocêntrica, como se o ser humano fosse o assunto principal. Aqui particularmente, pensa-se que a Igreja ou os Cristãos ou mesmo a Humanidade é o centro dos acontecimentos – não é. O começo, o meio e o fim da narrativa deste último livro são e sempre foi Jesus Cristo. E o autor deixa claro isto desde a primeira linha até a última.

 

Prólogo (1:1-3)

v.1 – A revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve. Ele fez saber, enviando o seu anjo ao seu servo João, 

“A revelação de Jesus Cristo” - Apocalipse Apocalupsis (grego),[1] é a revelação do plano de Deus para o mundo, especialmente a seus servos, a Igreja, por meio de Jesus Cristo. Ela nos mostra o que se passa nos bastidores, no céu. O texto grego pode dar a ideia de uma revelação da pessoa de Jesus Cristo,[2] mas no contexto descrito aqui Deus deu a revelação a ou por meio de Jesus para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve (cf. 22.16). 

O termo Apocalupsis (apocalipse/revelação) também é usado no Novo Testamento para se referir à Segunda Vinda, apontando para a remoção de tudo, que no tempo presente, impede a nossa visão do Cristo glorificado (1 Co 1.7; 2 Ts 1.7; 1 Pe 1.7, 13; 4.13), e Paulo declara que recebeu a revelação do evangelho do próprio Jesus Cristo,[já glorificado] (Gl 1.12). Apocalipse nos proporciona, como em nenhum outro lugar no NT, uma visão incomparável de Jesus Cristo em todo o Seu esplendor e glória celestial, que somente será contemplado, por toda humanidade, quando de Seu retorno glorioso.

“que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos” - Este livro tem a reivindicação mais completa e explícita da autoria divina do que qualquer outro livro da Bíblia, portanto, se foi João, o apóstolo, que escreveu isto é de importância secundaria. O autor é Deus, Deus deu a Jesus, assim como ele dá a Jesus o livro mais tarde (cf Ap 5.7). Foi escrito para seus servos, que são todos os cristãos em todas as épocas. A palavra grega para “servos” significa “escravos”. Servo é uma expressão comum para os cristãos em Apocalipse, (cf. Ap. 1.6; 2.20; 6.11; 7.3 e 7.15 – NIV). Servo, ou para servir é usado 19 vezes ao todo. O livro foi escrito para os servos de Deus, isto é, aos seus santos para lhes revelar o que deve acontecer em breve de modo que não devem ser pegos de surpresa pelos acontecimentos mundiais e/ou perseguições em que aparentemente os inimigos de Cristo e Seu Evangelho pareçam triunfarem. Em Ap 22.16 o próprio Cristo declara: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este testemunho concernente às igrejas”, veja que esta no plural. Finalmente, o último verso do livro diz: "A graça do Senhor Jesus seja com todos. Amém”. Outras expressões usadas como sinônimos de povo de Deus são irmãos e santos. Aqueles que servem a Deus na terra também irão servi-lo no céu (Ap 1.6; 5.10; 7.15; 22.3).

“o que deve acontecer em breve” - "uma crise iminente", ou seja, “'as coisas que devem acontecer em breve". Comentaristas exegéticos entendem que a palavra grega para "em breve" (tachos), bem como sua repetição no final do livro (Ap 22.7, 12, 20) não significa 'rapidamente', mas significa 'logo', 'em breve', ou seja, 'o tempo está próximo "(v.3).[3] A ideia é de “promessa” e espera”, de maneira que João faz a indicação de proximidade com o objetivo de consolar e confortar. Por outro lado, também esta implícito nesta expressão a eminência da ação divina, que certamente se cumprira pois nada e ninguém pode impedi-la ou mesmo retardá-la. E por fim também trás a ideia de que esta ação divina pode acontecer de forma repentina e inesperada (cf. Ap 3.3; 16.15) e nos textos evangélicos (cf Mt 24.43). Esta visão do que deve acontecer em breve é pela perspectiva do céu, portanto, proporciona uma visão muito mais ampla sobre os acontecimentos que serão narrados no livro, uma vez que Deus, que é atemporal, vê todas as coisas como de fato serão, enquanto nós vemos apenas os instantâneos limitados pelo nossa ótica temporal. No Apocalipse, como em todo NT, os cristãos são convidados e estimulados a viverem  na expectativa da consumação final de todas as coisas, como se fossem acontecer hoje “Estai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo” (Mc 13.33); mas aqueles que se deixam moldar por este mundo dizem “onde está a promessa da sua vinda?” demonstrando sua incredulidade.

“Ele fez saber, enviando o seu anjo ao seu servo João” – Deus é a origem desta Revelação, que a transmite a Jesus, de maneira que o anjo e João são os instrumentos de Jesus para que esta revelação chegue diretamente às comunidades cristãs e particularmente a cada cristão em todos os lugares e em todo o tempo.

É importante para uma compreensão correta do texto, entender o papel do anjo e de João. O escritor quer deixar bem claro que como na Antiga Dispensação os anjos estavam à serviço de Deus, agora na Nova Dispensação os anjos estão submetidos a Cristo (cf. 1.16; 4.9-10; 5.8; etc...) e são colocados como “companheiros de serviço” dos cristãos. João aqui e no transcorrer do livro é o receptor humano da revelação e por isso recebe a ordem de “escrever”, ou seja, de registrar as coisas que viu e ouviu (cf. 1.11,19; 14.13; 19.9; etc), de maneira que, João se identifica com os profetas do AT (cf. 19.10; 22.9). Assim, com o anjo e com João como portadores da mensagem temos a representação das duas fases da “revelação de Jesus Cristo”, a que ocorreu no AT por meio dos anjos e a que, a partir do NT, continua acontecendo por meio dos crentes e das igrejas. Cada vez que a comunidade cristã se reúne a “revelação de Jesus Cristo” acontece (cf. 1.10; 22.16).

A expressão "Ele fez saber”, no grego (semaino), trás a ideia de “manifestar por sinais”, o que no contexto bíblico significa comunicar uma mensagem por meio de símbolos e imagens. A mensagem recebida por João e que ele devera transmitir aos seus leitores será feita por meio de uma linguagem simbólica, de maneira que, para uma interpretação coerente desta mensagem deve se evitar um literalismo crasso.

 v.2 – o qual testemunhou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus, conforme tudo o que viu,

 

A tradução encontrada no Novo Testamento do Século Vinte preserva com clareza a ligação entre os termos gregos ‘testificou’ e ‘testemunho’: “o qual testificou da Mensagem de Deus, e do testemunho acerca de Jesus Cristo, não omitindo nada daquilo que viu”. Os dois termos tem a mesma raiz – martyr – e provavelmente o escritor as utiliza propositalmente, pois ‘testemunho’ pode significar ‘martírio’ e ‘testificou’ pode significar ‘tornar-se um mártir’. No contexto histórico do livro os cristãos eram martirizados justamente por que eram testemunhas de Jesus e testificavam de Seu Evangelho (6.9; 20.4), esta era também a razão pela qual João estava na ilha de Patmos (1.9).

conforme tudo que viu – a ideia aqui esta em aposição com a palavra de Deus e o testemunho de Jesus. O testemunho de João é verdadeiro não somente em relação a este último livro, que fecha o cânon bíblico, mas em relação a toda revelação anterior registrada em cada página da bíblia (cf. João 21.24; Ap. 19.35; 22.8, 16, 20). É preciso lembrar também que quando João esta escrevendo provavelmente seja o último dos apóstolos ainda vivo e que, portanto ainda teria condições de fazer um testemunho ocular de Jesus. A veracidade deste testemunho de João é fundamental uma vez que todos os crentes devem estar preparados para morrer por sua fé em Jesus.

 v.3 – Bem-aventurado aquele que lê as palavras desta profecia, e bem-aventurados são aqueles que ouvem e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo”. – 

“Bem-aventurado” esta é a primeira da série de sete bem-aventuranças contidas neste livro.[4] O fato de serem sete significa que se trata de uma alegria perfeita e/ou completa.[5] O que lê esta no singular e os que ouvem no plural porque a mensagem deveria ser lida por um dos membros de maneira que toda congregação pudesse ouvir, o que era uma prática comum na igreja primitiva (Cl 4.16; 1Ts 5.27), por pelo menos duas razões: a dificuldade de se fazer cópias da mensagem e pelo fato de a grande maioria dos cristãos eram analfabetos.

“as profecias deste livro” – a mensagem contida no livro não é apenas uma revelação, mas também uma profecia, o que a coloca no mesmo contexto das profecias do AT e seus portadores no mesmo nível dos antigos profetas de Deus. A mensagem profética permeia todo o livro e não apenas parte dele (cf. 22.7; 22.18), impedindo que o livro seja retalhado ao bel prazer de seus estudantes. Também não se trata de adivinhações especulativas oriundas da curiosidade do que se vai acontecer no futuro. A proposta desta profecia não é que adentremos ao mundo celestial em busca de seus segredos, mas justamente o contrário, é Deus que, por meio de Jesus, adentra o nosso mundo, a nossa história e se faz conhecer por meio de Sua mensagem, contida na Palavra e pela ação iluminadora do Espírito Santo (cf Jo 14.26; 16.13; Ap 1.10; 4.2, também chamado de Espírito da Profecia Ap 19.10).

“e guardam as coisas que nela estão escritas” – o verbo grego utilizado aqui é o mesmo utilizado em todo o NT para se “guardar” a Lei, os Mandamentos, e particularmente nos demais escritos joaninos. Não é suficiente ouvir é necessário que a mensagem seja crida e vivenciada (cf Lc 11.28); e somente estes que “guardam” é que experimentarão da superabundante felicidade mencionada antes.

“pois o tempo está próximo” – O “próximo retoma a ideia anterior do “breve” (1.1). Com a sua primeira vinda Cristo introduziu na nossa história uma nova modalidade de tempo, pois com Ele entramos na “plenitude do tempo” (Gl 4.4); o nosso tempo perdeu o centro de gravidade depois que em Cristo “chegou o fim dos tempos” (1Co 10.11); vivemos no intervalo entre a primeira vinda e a segunda vinda que é o “dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6,10; 2.16) que é iminente. Nesta frase esta incluído também um alerta de vigilância, um incentivo ao encorajamento e consolo, que permeia toda a mensagem do Apocalipse e se estende a todas as gerações da igreja e não apenas para os primeiros leitores, o que fica atestado pelas perseguições que os cristãos sofreram e continuam sofrendo por causa de sua fé em Cristo.

Rev. Ivan Pereira Guedes

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[1] Apocalipse é também conhecido como um tipo de literatura chamada apocalíptica e que foi desenvolvida pelo judaísmo do período interbíblico [entre Malaquias e Mateus]. Ainda que haja algumas semelhanças, também são evidentes muitas distinções entre o Apocalipse e aquelas literaturas apocalíptica. Uma das mais significativas destas distinções é o fato de que o autor neotestamentário este totalmente contextualizado no AT, de onde tira todas as suas referências e à luz das novas revelações interpreta todo o contexto profético veterotestamentário pela ótica Cristológica. Entretanto, em nenhum momento o autor do Apocalipse faz qualquer referência ou alusão a qualquer texto da literatura apocalíptica judaica. A única afinidade explicita entre eles é a utilização da linguagem apocalíptica. Assim Ladd conclui: “Isto confirma a afirmação de que o Apocalipse não é, como muitos têm dito, simplesmente um escrito apocalíptico judeu ‘batizado’ na igreja cristã”. Ladd, George, Apocalipse – Introdução e comentário, Ed. Vida Nova, 2008, p. 19.  (ver mais - http://t.co/NXVprQgp).

[2] Corsini defende esta interpretação para fundamentar todo o seu comentário do livro: ”Com efeito, se o livro trata de coisas reveladas por Cristo a João, o caráter ‘profético’ desse cumprimento, no sentido de algo voltado para o futuro, torna-se automático. Mas se ‘revelação de Jesus Cristo’ quer dizer, como sustentamos, a revelação do próprio Jesus através da histórica, compreendida como história da salvação, seu cumprimento coloca-se num outro plano, e significa simplesmente que o plano salvífico de Deus foi atuado, realizado” Corsini, Eugênio. O Apocalipse de João, Grande Comentário Bíblico, Edições Paulinas, 1984, p. 80.

[3] Mas a dificuldade aqui neste versículo não é maior do que em muitas outras partes. Paulo disse: ‘Perto está o Senhor’ (Fp 4.5). Pedro declarou: ‘Está próximo o fim de todas as coisas’ (1Pe 4.7). Tiago afirmou: ‘A vinda do Senhor está próxima’ (Tg 5.8). A explicação está na iminência dos eventos, isso é, são eventos que se realizarão a qualquer momento. O tempo destes acontecimentos já estão determinados, mas são sabemos quando, mas não se atrasara um segundo se quer, pois não dependem em nada do ser humano ou de qualquer outra coisa, a não ser da vontade de Deus.

[4] Veja uma pequena introdução sobre as bem-aventuranças do Apocalipse - http://t.co/DPyJJlEc

[5] Pequeno comentário sobre os números no livro do Apocalipse - http://t.co/vVxLRRs7

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CONTEXTO HISTÓRICO DOS EVANGELHOS  (Evangelhos) escrito em quarta 18 abril 2012 07:10

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, CONTEXTO HISTÓRICO DOS EVANGELHOS

Ao menos dois escritores da antiguidade contribuem muito para localizarmos historicamente os acontecimentos narrados pelos evangelistas. Ao lermos as obras produzidas por Josefo, um judeu e  por Eusébio, um cristão, podemos encontrar um terreno firme para estabelecermos o tempo e os lugares indicados pelos escritores evangélicos.

FLÁVIO JOSEFO

Como um bom judeu ele conhecia muito bem as regiões da Judéia e Galiléia, sem falar na capital Jerusalém. Durante a  chamada Primeira Revolta Judia, ele foi um dos comandantes. E por esta razão veio a se tornar um dos mais procurados por Roma “vivo ou morto”. Mas sua situação deu uma reviravolta inimaginável quando predisse que o general Vespaziano, que o havia prendido, se tornaria o próximo imperador, o que de fato veio acontecer. Agora tendo um novo status Josefo vai se tornar um dos maiores historiadores judaicos de todos os tempos. Suas obras “História das Guerras Judaicas” e “Antiguidades” tornaram-se indispensáveis para se conhecer o que aconteceu durante o período romano na Palestina.

Ele tinha a tendência de exagerar, principalmente as questões numéricas, talvez com o intuito de tornar seus relatos mais empolgantes e vistosos. Também colocava sempre nos aguerridos e nacionalistas “zelotes” a responsabilidade da grande revolta dos judeus contra o império romano. Mas sem dúvida é a grande obra referencial para sabermos em que contexto os relatos evangélicos foram escritos.

Quando se lê as obras de Josefo temos a nítida impressão de que os evangelistas não criaram um mundo virtual enquanto escreviam suas narrativas sobre Jesus, mas um mundo real e que pode ser verificável por outras fontes históricas da época. Também ajuda muito a desmitificar a Palestina dos dias de Jesus, que às vezes é vista como um lugar calmo e sereno, quase mítico – as páginas de Josefo deixa claro que nos dias de Jesus a Palestina e principalmente a Galileia era um  barril de pólvora sempre pronto a explodir.. A leitura de Josefo nos permite compreender melhor os escritores evangélicos e o próprio ministério de Jesus e seus ensinos.

 

EUSÉBIO (de Césareia)

Apesar de Eusébio ser de um período posterior aos evangelistas (c. 260-339 d.C.) ele viveu em Cesaréia, na costa marítima. Sua obra maior é “História Eclesiástica”, em dez volumes, o que o coloca como equivalente cristão à obra judaica de Josefo. Ele veio a ser bispo da Palestina em um período crítico, quando o imperador Constantino assume as redes do Império Romano e o transforma no Império Bizantino. O que interessa é que ele registra citações extensas de pessoas que estiveram visitando a região na época dos primeiros cristãos. Ele também escreveu duas outras obras interessantes para o estudioso do NT: Martyrs of Palestina, onde narra as perseguições que os primeiros cristãos sofreram na Palestina pelos imperadores romanos e outra obra “The Onomastikon” uma espécie de dicionário de nomes e lugares bíblicos, possibilitando identificar os locais indicados pelos evangelistas, ou ao menos, como eles eram lembrados pelos cristãos durante os primeiros 300 anos depois dos acontecimentos.

Rev. Ivan Pereira Guedes

 

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NAQUELE MESMO DIA  (Páscoa) escrito em segunda 09 abril 2012 11:25

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O primeiro dia da semana esta se findando. Um a um eles vão chegando, mesmo apreensivos e sabendo dos riscos que correm sãi impulsionados a se reunirem.

Quantas coisas aconteceram. No domingo anterior viram a cidade explodir em festa e cânticos aclamando Jesus com gritos de “Hosana, Hosana, aquele que vem em nome do Senhor!”. E depois, a cada dia, foram percebendo uma tensão crescente.

Aquele momento íntimo e agradável de Jesus com eles na refeição da páscoa era apenas a calmaria antes de uma grande tempestade. E ela veio sobre eles de forma violenta pré-anunciada pela traição de Judas Iscariotes que vindo com a guarda do Templo entrega Jesus.

Depois de preso o Mestre foi humilhado das formas mais vil possível e maltratado e torturado como o mais terrível dos criminosos, durante toda a noite. Seu julgamento foi totalmente distorcido e as leis judaicas e romanas foram jogadas no lixo, pois o que importava era condená-lo e matá-lo.

Na sexta-feira uma nova aclamação se ouve em Jerusalém, totalmente oposta ao que se ouvira no primeiro dia. Agora as pessoas gritam a todo pulmão: “Crucifica-o, crucifica-o, e solte Barrabás”.

Uma vez condenado teve que levar sua própria cruz até o lugar onde deveria ser crucificado. Os soldados com sua indiferença e frieza apenas cumpriam seu oficio e cravaram-lhe nas mãos e nos pés os longos e pontiagudos cravos.

Ali próximo da cruz estão apenas algumas mulheres, entre elas a sua mãe Maria e o jovem apóstolo João. E Pedro e os demais? Não foram vistos por perto!

E depois de horas intermináveis, ali pregado, Jesus grita: “Está consumado” e depois de um longo suspiro entrega seu espírito ao Pai. Antes que o sol se ponha e comece o descanso obrigatório do sábado, seu corpo é retirado do madeiro e levado para um túmulo que é selado com uma grande pedra.

Aparentemente tudo terminara. Nunca um sábado foi tão angustiante como aquele. A dor e a frustração dominam a mente e o coração daqueles que por quase três anos haviam sido tomados por sonhos e esperança. Os sonhos se dissiparam e a esperança se perdeu.

Mas então algo extraordinário aconteceu! Começaram a chegar comentários de que algumas mulheres ao se aproximarem do túmulo, logo pelas primeiras horas deste novo Domingo o encontraram aberto e depois elas mesmas e ainda de forma particular Maria Madalena viram e ouviram o Senhor Ressurreto!

Tudo parecia incrível demais para ser verdade. Será que elas não foram iludidas ou apenas imaginaram. Mas então ouviram que Pedro e João também haviam ido ao túmulo e de fato estava vazio e os lençóis e panos usados para cobrir o corpo de Jesus fora deixado no local.

Estas notícias espalham-se rapidamente durante todo o dia. As autoridades religiosas judaicas também ouviram estas informações e imediatamente tomaram as suas providências espalhando que foram os próprios discípulos de Jesus que lhe “roubaram” o corpo do túmulo.

Uma alegria apreensiva e contida começa a invadir suas mentes. Então, ao final daquele mesmo dia, começam a dirigir-se para um local onde outros também já se encontravam reunidos. Enquanto ouvem novamente da boca das mulheres e de Pedro e João os seus relatos chegam ofegantes outros dois discípulos. Cleopas e seu companheiro tinham resolvido voltarem para sua vila de Emaús e enquanto caminhavam, sem que percebessem, outro viajante caminhava ao lado deles. E durante toda a caminhada Ele lhes falava sobre o que as Escrituras ensinava sobre o Messias e quando chegaram insistiram com Ele para que pernoitasse com eles e na hora que foram jantar, Ele partiu o pão, então perceberam que era o próprio Jesus que esta ali.

Ao ouvirem tais palavras há uma explosão de alegria incapaz de ser contida pelo medo das ameaças que lhes foram feitas pelas autoridades religiosas. Então derrepente eles ouvem uma voz conhecida: “Paz seja convosco!”. Seus olhos e ouvidos negam-se a aceitar. Mas ali, no meio deles, esta o Senhor Jesus ressurreto. Ninguém tem dúvidas, mas ninguém consegue falar uma única palavra, não conseguem mover um único músculo. Então Jesus fala novamente: “Paz seja com vocês!”. Ao som destas palavras seus corações desaceleram e suas almas são tomadas por uma paz que excede todo o entendimento. Seus músculos se libertam e agora todos falam ao mesmo tempo e alguns querem tocá-lo e abraçá-lo, mas Jesus diz que ainda não, pois ainda não fora para o Pai. Mas para tirar qualquer dúvida de que era Ele mesmo, mostra-lhes as marcas dos cravos e da lança.

Então da mesma maneira com que apareceu, Jesus desaparece do meio deles. Mas, a vida de cada um daqueles homens e mulheres que ali estavam, assim como a vida de milhões de outros que viriam a ler estes relatos e crerem, jamais foi o mesmo.

Ter um encontro com Jesus, ressurreto, é uma experiência única e transformadora. É impossível crer em Jesus e continuar vivendo da mesma maneira. A paz que Jesus oferece traz descanso para os cansados e sobrecarregados e faz jorrar uma fonte inesgotável de esperança para os desvalidos.

A ressurreição de Jesus é uma mensagem distinta e singular do Evangelho. Como mais tarde Paulo haveria de resumir: “Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé e somos os mais infelizes entre todas as pessoas”.

Nestes dias em que as verdades fundamentais do Evangelho são sonegadas e distorcidas pelos detentores do monopólio religioso, como acontecia naqueles dias pelos líderes religiosos judaicos, em nome de um “evangelho” medíocre, insípido, vulgar; um “evangelho” sincretista, mercantilista e antropocêntrico; creio ser de suma importância resgatar as verdades fundamentais do Evangelho bíblico e Cristocentrico.

Cristo já ressuscitou! Aleluia!

Sobre a morte triunfou! Aleluia!

Tudo consumado está! Aleluia!

Salvação de graça dá! Aleluia!

 

Rev. Ivan Pereira Guedes

 

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PÁSCOA: A Última Oração  (Páscoa) escrito em segunda 02 abril 2012 07:50

Blog de reflexaobiblica :REFLEXÃO BIBLICA, PÁSCOA: A Última Oração

A oração foi sempre o meio pelo qual Jesus se relacionou e se harmonizou com a Vontade Perfeita do Pai. Logo após submeter-se ao batismo por João, no rio Jordão, Ele vai para o deserto e ali passa quarenta dias orando; durante os quase três anos de Ministério vamos encontra-lo orando; nas últimas horas que antecedem sua Morte, Jesus aproveita para orar; e ainda que uma das suas orações mais conhecida seja a aquela feita no Getsemani, esta não foi sua última oração ... a última vez em que Jesus ora ... foi na Cruz:

Contudo, Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’”.

Costumamos orar em templos, em quartos, jardins ou em lugares mais tranquilos, mas a última oração de Jesus foi numa Cruz; as pessoas amaldiçoam na cruz, elas gritam na cruz, as pessoas se revoltam na cruz ... mas Jesus escolhe orar na cruz!

Ali pregado na cruz, Jesus não ora por Si mesmo. As dores eram insuportáveis; o deboche e frieza dos soldados revelavam toda insensibilidade humana para com o sofrimento do outro; e certamente o abandono por parte de seus discípulos dilacerava ainda mais o coração de Jesus. Mas apesar de tudo isso, Ele encontra força e disposição para orar em favor de todos eles e não por Si mesmo!

O tempo verbal utilizado pelo evangelista Lucas trás a ideia de uma ação continua ou repetida, o que significa que Jesus faz esta oração varias vezes, durante as horas que permaneceu ali pregado na cruz. Ele não orou apenas uma ou duas vezes, mas repetidamente ele ora: “Pai, perdoa-lhes ... Pai, perdoa-lhes ... Pai, perdoa-lhes ...”; até que sua garganta e sua boca secaram e as palavras não mais podiam ser pronunciadas.

Jesus orou por aqueles que o abandonaram, ainda que os tenha amado até o fim; orou por aqueles que o prenderam e condenaram, mesmo sabendo que ele era inocente; orou por aqueles que o chicotearam, humilharam e o pregaram naquela cruz; Jesus escolheu orar por todos eles e não por si mesmo.

E o que Jesus ora, o que Ele realmente esta pedindo ao Pai? Para compreendermos o real sentindo da oração de Jesus é preciso distinguir qual a palavra que ele utiliza para “perdoar”. Há duas palavras gregas usadas no NT para expressar perdão. Uma trás a ideia bem conhecida de “esquecer, apagar” o que significa que quando Deus perdoa nossos pecados Ele apaga ou não mais se lembra do pecado perdoado. Mas a palavra utilizada aqui no texto de Lucas é uma que encontramos em outros dois textos de Mateus; no primeiro texto alguns pais desejam trazer seus filhos pequenos para serem abençoados por Jesus e os discípulos estão impedindo que elas se aproximem então Jesus percebendo diz: “Deixai as crianças virem, não as impeçais”, a palavra “deixar” é a mesma palavra usada por Jesus “perdoa-lhes” (19.14). No segundo texto temos a cena na cruz onde um soldado molha a esponja no vinagre e tenta oferecer a Jesus ali pregado, para aliviar sua agonia, mas os demais soldados começam a dizer: “deixe-o (não interfira) sozinho, vamos ver se Elias vem salvá-lo” (27.28-29).

Somando o sentido destas duas referências com a de Lc temos o real sentido da oração de Jesus na cruz: “Pai, não os impeçam de que venham a mim”. Pai dê aos soldados romanos que me pregaram uma chance de se arrependerem; Pai dê à multidão furiosa a chance de se conciliarem contigo; Pai dê a todo pecador a oportunidade de ser redimidos; Pai, estou pagando o preço, desvie a sua ira deles e dê-lhes a chance de se arrependerem e serem perdoados de seus pecados”.

O apostolo Pedro, alguns depois, escrevendo sua segunda carta reafirma esta oração de Jesus: “Ele (Deus) é longânimo para convosco, não querendo que ninguém pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9).

Deus tem alongado sua paciência e tem retido seu juízo, atendendo a oração de Seu Filho no calvário. Por mais de dois mil anos as pessoas estão sendo convidadas para se arrependerem e crerem em Jesus para que seus pecados sejam perdoados e elas sejam salvas. Talvez tenhamos mais dois mil anos, talvez não. Hoje o perdão e a salvação estão sendo oferecidos, mas até quando? A bíblia não diz!

Rev. Ivan Pereira Guedes

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